Construtora Inti é acusada de abandonar sete obras de alto padrão na Zona Sul do Rio

projeto do edifício Cora, na Gávea, uma das construções paradas pela Inti Empreendimentos – Divulgação

A crise da Inti Empreendimentos abriu um grande debate entre compradores de imóveis de alto padrão na Zona Sul do Rio. Clientes da construtora acusam a empresa de abandonar nada menos que sete empreendimentos em Botafogo, Urca, Leblon e Gávea, com obras paradas há até cinco meses, em alguns casos, enquanto as unidades ainda continuavam sendo comercializadas. As acusações são de compradores, segundo a jornalista Berenice Seara; a empresa ficou célebre pelo bem sucedido lançamento de unidades no antigo Edifîcio da Mesbla, no Centro do Rio, aquele com o antológico relógio Art Déco.

Os canteiros citados pelos compradores ficam nas ruas Sambaíba, no Alto Leblon; Assis Bueno, em Botafogo; São Sebastião, na Urca; e General Rabelo e Praça Santos Dumont, na Gávea. Segundo a reportagem sobre o caso publicada no portal Tempo Real, cerca de 120 compradores se reuniram para discutir uma estratégia conjunta, e descobriram que 80% deles já teriam quitado seus imóveis. Já as unidades do Centro foram vendidas em tempo recorde poucos meses atrás.

A insatisfação cresceu depois de reuniões com o sócio-diretor da empresa, André Kiffer. De acordo com os compradores, ele reconheceu que a construtora não teria mais condições de tocar os projetos até o fim. A partir daí, os clientes passaram a discutir a criação de associações, a contratação de novas construtoras para concluir os prédios e a adoção de medidas judiciais contra a empresa. “Descobrimos que ele estava com problemas de gestão há tempos, mas continuava vendendo os imóveis”, disse um dos compradores, em relato publicado pela imprensa.

A versão da construtora é diferente em um ponto central. Kiffer afirma que os empreendimentos não seguem o modelo clássico de incorporação, e sim o regime de obra por administração, também conhecido como preço de custo. Nesse formato, segundo ele, os compradores já são donos de suas unidades, e a construtora atua na prestação do serviço de construção. “As obras são por administração, então eles já são donos dos imóveis. É diferente de uma incorporação. Nós prestávamos serviços de construção. Mas realmente não temos mais como terminar”, afirmou.

No mercado imobiliário, a diferença é relevante. De acordo com o Creci-RJ, na construção por administração o custo integral da obra é assumido pelos compradores, com os riscos também transferidos a eles. Já no regime de empreitada, mais próximo do que o público costuma identificar como venda de imóvel na planta a preço fechado, o valor da construção é definido em contrato e a dinâmica de responsabilidade muda.

É justamente essa distinção que a Inti usa para sustentar que os clientes não ficarão sem os imóveis nem sem a escritura em seus nomes. Kiffer diz que procurou os compradores de forma proativa, participou de assembleias e apresentou documentos com receitas e despesas das obras. Segundo ele, alguns empreendimentos ainda conseguem se sustentar com recursos próprios, enquanto outros exigirão aportes adicionais dos proprietários. “As obras demoraram mais, custaram mais do que o previsto. Estou disponível para todos os clientes, nada é escondido. Não existe a possibilidade de eles ficarem sem os imóveis ou sem a escritura no nome deles”, declarou.

O DIÁRIO foi a campo e consultando diversas fontes do Mercado Imobiliário, levantou que a empresa tomaria crédito a valores considerados altos, bem acima da média de mercado. Segundo estas fontes, a empresa, conhecida pelo esmero em suas obras, pode estar com dificuldade para quitar seus empréstimos.

A crise, segundo a empresa, está ligada ao ambiente econômico, com juros altos e aumento dos custos de construção. Para os compradores, porém, isso não apaga o principal problema: a sensação de que os sinais de desorganização já existiam antes, enquanto a venda das unidades seguia normalmente. O caso ficou ainda mais sensível porque, entre os compradores, há médicos, advogados, investidores e até um promotor de Justiça que, segundo a reportagem, pagou R$ 2 milhões há cerca de 90 dias por um apartamento que ainda não saiu do papel.

Reprodução

No meio da turbulência, a empresa tenta separar da crise um projeto de forte apelo simbólico no Centro do Rio. O retrofit do antigo Edifício Mesbla, na Rua do Passeio, rebatizado de Ora, não deve ser atingido, segundo a reportagem. O empreendimento foi aprovado em 2023 no programa Reviver Centro e é uma parceria entre a Inti Empreendimentos, a XP Investimentos, com projeto do escritório Cité Arquitetura. Os recursos, segundo a informação publicada, estão protegidos em conta separada.

As 191 unidades do projeto foram vendidas em abril de 2025, nas primeiras 24 horas de lançamento, com valores entre R$ 400 mil e R$ 900 mil. No caso do Ora, a aposta dos envolvidos é blindar a operação para evitar que a crise aberta nos empreendimentos residenciais da Zona Sul contamine um dos projetos mais emblemáticos da revitalização imobiliária do Centro.

Com informações do portal Tempo Real

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Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com

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