Um exame de sangue pode ajudar a identificar sinais da depressão que nem sempre são percebidos de imediato. Conforme o novo estudo indica, o envelhecimento biológico de células do sistema imunológico está ligado a sintomas cognitivos e emocionais do transtorno, como desesperança e perda de interesse.
A pesquisa foi publicada na revista The Journals of Gerontology, em 24 de março, e analisou dados de 440 mulheres, com e sem HIV, para entender como alterações no organismo podem estar associadas à saúde mental. Os resultados sugerem que esse tipo de marcador pode, no futuro, contribuir para formas mais objetivas de identificar a depressão.
Hoje, o diagnóstico depende principalmente do relato dos próprios pacientes. Embora exames laboratoriais sejam usados para descartar outras doenças, ainda não existe um teste capaz de apontar a depressão de forma direta.
Segundo a pesquisadora Nicole Beaulieu Perez, da Universidade de Nova York, a condição pode se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa.
“A depressão não segue um único padrão e pode aparecer de formas variadas, o que torna importante olhar além de categorias amplas”, diz ela, em comunicado.
O que o sangue pode revelar
Para investigar a relação, os cientistas analisaram o chamado envelhecimento biológico, que pode ser diferente da idade cronológica. Esse processo foi medido com base em alterações químicas no DNA, conhecidas como relógios epigenéticos.
Um dos focos do estudo foram os monócitos, um tipo de glóbulo branco envolvido na resposta imunológica. Os pesquisadores observaram que o envelhecimento dessas células estava associado principalmente a sintomas não físicos da depressão.
Entre eles, estão a anedonia, que é a dificuldade de sentir prazer, além de sentimentos de fracasso e desesperança. Já sintomas físicos, como cansaço ou alterações no apetite, não apresentaram a mesma relação com esse marcador.
“Isso chama a atenção, porque, em alguns casos, sintomas físicos podem ser atribuídos a outras condições, enquanto os aspectos emocionais acabam menos evidentes”, explica Perez.
Possíveis impactos no diagnóstico
Os resultados ajudam a entender melhor como a depressão se relaciona com processos biológicos do corpo. Também indicam que diferentes tipos de sintomas podem ter origens distintas, o que pode influenciar a forma como a condição é identificada.
Os pesquisadores destacam que ainda são necessários novos estudos para confirmar esses achados e avaliar como esse tipo de exame poderia ser usado na prática clínica.
A longo prazo, a expectativa é que marcadores biológicos possam complementar a avaliação médica e permitir diagnósticos mais precoces, além de orientar tratamentos mais personalizados.

A depressão é uma doença psiquiátrica caracterizada por tristeza profunda, sentimento de desesperança e pela falta de motivação e interesse em realizar qualquer tipo de atividade. Essa condição pode ser crônica, tornando a se repetir em vários momentos da vida, ou episódica, desencadeada por alguma emoção específica
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A luta contra esse mal começa, inicialmente, na busca do paciente por ajuda. Em seguida, além do tratamento indicado por um especialista, mudanças no hábito de vida são essenciais para combater a doença
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Um desses hábitos é ter boas noites de sono. Dormir bem é necessário para manter a saúde mental. Alguns estudos sugerem que pessoas com insônia são até dez vezes mais propensas a ter depressão
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Manter-se longe de situações que podem causar estresse é outra recomendação. Apesar de parecer impossível excluir essa reação tão danosa das nossas vidas, uma vez que ela é provocada por fatores que não podem ser controlados, é possível gerenciar os nossos sentimentos durante situações estressantes. Autoconhecimento e certas técnicas ajudam a lidar com o problema
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Realizar atividades físicas é outra indicação para quem tem depressão. Além de manter a cabeça ocupada e focada, exercícios ajudam o corpo a liberar endorfina, substâncias químicas que reduzem a dor e melhoraram o humor. Praticar dança, natação, vôlei ou qualquer outra atividade que você se interesse pode fazer toda diferença
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O álcool pode agravar sintomas depressivos em função de seus efeitos sobre o sistema nervoso central. Beber deixa o paciente menos propenso a seguir o tratamento contra a depressão. Também o coloca em situações mais propícias para ter problemas em casa ou no trabalho
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Manter distância de pessoas negativas é outro hábito que deve ser praticado por quem luta contra a doença. É muito importante ter uma rede de pessoas confiáveis com quem se possa conversar sobre a vida. Contudo, para pessoas que estão em um momento de fragilidade pode não ser adequado ficar repassando assuntos negativos
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Se você não está se sentindo bem, procure permanecer ao lado de pessoas que o alegram e despertam sentimentos positivos
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Assim como em qualquer outra condição, é preciso assumir o problema para que ele possa ser tratado. Portanto, se você está se sentindo deprimido, não deixe de buscar ajuda
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Geralmente, a psicoterapia costuma ser a primeira indicação para casos leves. Já para quadros moderados e graves, o uso de antidepressivos é a conduta mais indicada. Segundo especialistas, quando o tratamento é feito de maneira precoce, os resultados são muito melhores, proporcionando mais tempo livre de sintomas e redução da chance de novos eventos
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Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com