entenda a relação entre cérebro e coração

A pressão alta não depende apenas de genética, alimentação rica em sal ou sedentarismo. A saúde mental também pode ter papel importante no desenvolvimento e no controle da hipertensão. Estresse crônico, ansiedade e depressão mantêm o organismo em estado de alerta, ativam mecanismos ligados à resposta ao perigo e podem dificultar a regulação da pressão arterial no dia a dia.

A relação aparece tanto no corpo quanto no comportamento. Segundo o cardiologista Marcelo Bergamo, do Hospital Santa Bárbara d’Oeste, em São Paulo, condições emocionais como ansiedade, depressão e estresse crônico ativam alguns sistemas do organismo (especialmente o sistema nervoso simpático e o eixo hormonal do estresse) que podem levar ao aumento da pressão arterial.

“Não é raro que pacientes hipertensos também apresentem algum grau dessas condições emocionais. Na prática, o sofrimento mental pode atrapalhar a rotina da medicação, piorar a qualidade do sono, reduzir a prática de atividade física e favorecer uma alimentação mais desregulada, com maior consumo de sal e ultraprocessados”, explica Bergamo.

A hipertensão arterial sistêmica, conhecida como pressão alta, ocorre quando o sangue circula com força excessiva pelas artérias. Em geral, é considerada quando os níveis de pressão arterial são iguais ou superiores a 140/90 mmHg em repouso. O problema pode ser silencioso por anos, mas aumenta o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal.

Sinais de alerta

Nem sempre é simples perceber quando fatores emocionais estão interferindo na pressão. Um dos sinais é a ocorrência de picos em momentos de estresse, ansiedade ou tensão. Palpitações, suor excessivo, tensão muscular, dor de cabeça e grande variação nas medidas ao longo do dia também podem indicar influência emocional.

Por isso, medir a pressão regularmente e fazer acompanhamento médico são cuidados fundamentais, especialmente para pessoas que já têm diagnóstico ou histórico familiar da doença.

A saúde mental também influencia a adesão ao tratamento. Pacientes com ansiedade podem esquecer medicações, usar remédios de forma irregular ou ter medo de efeitos colaterais. Já a depressão pode reduzir a motivação e a energia para manter consultas, atividade física e alimentação equilibrada.

Sono ruim, sedentarismo, alimentação desregulada e uso de álcool formam a conexão direta entre saúde mental e pressão alta.

“A pessoa dorme pior, se movimenta menos, come de forma mais impulsiva e pode recorrer ao álcool como forma de aliviar o estresse. O resultado é um ciclo em que um problema alimenta o outro”, explica Bergamo.

Corpo em alerta constante

O médico de família Tiago Rodrigues Cavalcante, da plataforma INKI, explica que o vínculo entre saúde mental e hipertensão está na permanência do corpo em estado de vigilância. O estresse, quando constante, exige grande gasto de energia e sobrecarrega órgãos como coração e cérebro. Já a ansiedade mantém o sistema nervoso acelerado, como se o organismo estivesse preparado para uma emergência que nunca chega.

“A hipertensão arterial sistêmica é o resultado físico dessa sobrecarga emocional e fisiológica. Quando o corpo permanece em estado de alerta constante, os vasos sanguíneos ficam mais contraídos e rígidos, dificultando a passagem do sangue. Com o tempo, a pressão pode subir com mais frequência. Em quem já tem diagnóstico de hipertensão, o estresse crônico funciona como um agravante, provocando picos de pressão e maior oscilação ao longo do dia”, afirma Rodrigues.

O estresse pode contribuir para o surgimento da hipertensão em pessoas predispostas e também piorar quadros já existentes. Por isso, especialistas defendem que o tratamento da pressão alta considere não apenas medicamentos e hábitos de vida, mas também fatores emocionais persistentes.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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