Por que alguns idosos resistem a cuidar da saúde e como ajudá-los

Com o passar dos anos, o corpo muda, a rotina se transforma e as demandas de saúde se tornam mais frequentes. Ainda assim, nem todo mundo aceita esse processo com facilidade. Em muitas famílias, é comum lidar com pessoas mais velhas que evitam consultas, ignoram orientações médicas ou resistem a mudanças simples no dia a dia. Mas o que explica esse comportamento e como lidar com ele?

Embora existam idosos bastante atentos à própria saúde, um grupo específico chama atenção justamente pelo movimento contrário. De acordo com o geriatra Natan Chehter, professor da Universidade Cidade de São Paulo (UNICID) e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), esses extremos acabam se destacando mais.

“Você tem pessoas que procuram demais o médico, pessoas que procuram menos e as que estão no meio do caminho. Esses comportamentos mais extremos chamam mais atenção, mas não são maioria”, diz.

Entre os fatores que ajudam a entender essa resistência está o medo. Receber um diagnóstico pode ser visto como uma ameaça difícil de enfrentar. Além disso, há uma questão geracional importante. Muitos idosos cresceram em contextos com pouco acesso à saúde, o que influencia a forma como lidam com consultas até hoje.

“O medo de receber um diagnóstico ruim influencia. E também tem pessoas que cresceram sem acesso ao médico e continuam com essa mentalidade, de que não precisam ir”, explica Chehter.

Do ponto de vista emocional, a dificuldade em cuidar da saúde pode estar ligada à forma como o envelhecimento é percebido. Para o psicólogo Yuri Busin, que atende em São Paulo, a sensação de perda de autonomia tem um peso importante nesse processo.

“A perda da autonomia que acontece conforme a velhice vai chegando é algo muito dolorido. Falar sobre vulnerabilidades também é difícil, porque envolve reconhecer que precisa de ajuda”, destaca.

Ele explica que, em muitos casos, a negação funciona como uma espécie de defesa. “Muitas pessoas não querem descobrir alguma coisa negativa para não ter que lidar com isso. Então preferem não ir ao médico e seguir como se nada estivesse acontecendo”, aponta.

No entanto, esse comportamento pode trazer consequências. A medicina atual se baseia cada vez mais na prevenção, ou seja, na identificação precoce de problemas de saúde. Por isso, adiar consultas e exames pode significar descobrir doenças em estágios mais avançados.

“A gente quer diagnosticar antes que os problemas se tornem graves. Quem não procura pode acabar descobrindo uma doença mais tarde, já com consequências”, alerta Chehter.

Como incentivar o cuidado sem gerar conflito

Diante desse cenário, familiares e profissionais de saúde enfrentam um desafio delicado. Insistir de forma rígida ou autoritária tende a aumentar ainda mais a resistência.

“A ideia não é brigar ou impor. Isso geralmente não funciona. O melhor caminho é uma abordagem mais colaborativa, mostrando preocupação e tentando construir junto”, orienta Busin.

Criar novos hábitos também exige tempo e estratégia. Mudanças bruscas dificilmente funcionam, especialmente quando envolvem múltiplas recomendações ao mesmo tempo.

“Muitas vezes é preciso priorizar. Se a pessoa tem vários problemas, você começa pelo que é mais urgente. Não adianta querer mudar tudo de uma vez”, explica Chehter.

Outra estratégia é apostar em pequenas mudanças, os chamados micro hábitos. Atividades simples, que façam sentido para a pessoa e se encaixem na rotina, tendem a ter mais adesão ao longo do tempo.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

VEJA MAIS

João Fonseca perde na estreia do Masters 1000 de Roma e é eliminado

O brasileiro João Fonseca perdeu na estreia do Master 1000 de Roma para o sérvio…

ES quer ampliar proteção de animais nas rodovias

Deputada propõe campanhas educativas e melhorias viárias para proteger fauna capixaba Por Denise Miranda A…