André Mendonça usa o caso de Ciro Nogueira para mandar recado aos figurões

Uma das maiores fraudes bancárias da história do país, responsável por um rombo de pelo menos 50 bilhões de reais, o escândalo do Master assombra a Praça dos Três Poderes, em Brasília, desde a sua eclosão, no ano passado.

Numa tentativa de impedir o avanço das investigações, políticos e magistrados se empenharam em operações-abafa em diversas frentes, da tentativa de atrapalhar o trabalho da Polícia Federal (PF) ao engavetamento da proposta de criação de uma CPI sobre o tema no Congresso.

O objetivo era claro: circunscrever a falcatrua ao sistema financeiro e blindar autoridades do Legislativo, do Executivo e do Judiciário que contribuíram para que ela ocorresse — e que receberam dinheiro sujo para isso.

Na quinta-feira 7, o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, deixou claro que não será contido por esse dique erguido pelos poderosos. Em nova fase da chamada Operação Compliance, ele autorizou a PF a realizar buscas e apreensões em endereços do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas.

Não se trata de um político qualquer. Nogueira é o principal expoente do Centrão, grupo que dita o rumo das votações no Congresso. Ex-aliado de Lula e Dilma Rousseff, foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, quando controlava a planilha do chamado orçamento secreto e comandava relação do governo com os parlamentares.

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De olho na eleição de 2026, Nogueira formou uma federação entre o seu partido e o União Brasil que resultou na agremiação com mais deputados federais e mais recursos do fundo eleitoral, tornando-se também o dote mais cobiçado pelos candidatos a presidente da República. A federação negocia a indicação de um vice para a chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Esse currículo não intimidou André Mendonça, que autorizou a investida da PF sobre o senador, suspeito de receber mesada de 300 000 a 500 000 reais, além de outras vantagens indevidas, para atuar como despachante dos interesses de Daniel Vorcaro no Congresso.

“O parlamentar detém o controle e figura como principal beneficiário das condutas relacionadas à execução material de atos de lavagem de capitais sob investigação”, registrou o ministro. O recado é claro: se parlamentar tão influente caiu na teia dos investigadores, é sinal de que a apuração pode alcançar todo e qualquer figurão da República.

Por meio de nota de seus advogados, o senador Ciro Nogueira repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. “As medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade”, dizem os defensores do ex-banqueiro na nota. 

Fonte do Conteudo: Daniel Pereira – veja.abril.com.br

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