Um encontro marcado pelo aplicativo Grindr terminou com o sequestro de um enfermeiro e professor universitário, de 33 anos, no Distrito Federal. O homem foi levado por bandidos e teve pelo menos R$ 20 mil roubados durante o crime, registrado na noite do último dia 7, em Samambaia (DF).
A vítima, que se identificou somente como Pedro, combinou um “date” com um rapaz que utilizava o nome de Douglas. O encontro ocorreu próximo a um posto de combustíveis na BR-070.
Ao encontrar o rapaz, que o identificou pela marca do carro, o professor percebeu que o suspeito estava com uma arma na cintura. Ele anunciou o assalto e exigiu que o enfermeiro entrasse no banco de trás do veículo.
Logo depois, um segundo criminoso, também armado, entrou em ação. Os suspeitos circularam por Samambaia por cerca de duas horas, enquanto ameaçavam a vítima de morte e diziam saber onde ela morava e trabalhava. Durante o trajeto, exigiram transferências bancárias, conseguindo retirar R$ 20 mil das contas da vítima, parte via Pix e parte após contato com o chat do Nubank.
Os valores foram enviados para uma conta bancária em nome de Victor Gabriel Ramos Costa Rodrigues, 26 anos, conforme consta no boletim de ocorrência. O homem teria recebido R$ 3 mil de auxílio-emergencial durante abril e agosto de 2020, durante a pandemia do Covid-19. Ele seria morador de Águas Lindas (GO), no Entorno do Distrito Federal.
Além do dinheiro, os criminosos roubaram uma corrente de ouro e o celular da vítima, obrigando-a a desconectar o aparelho do iCloud. Após o crime, a vítima foi abandonada na QR 23 de Samambaia.
Segundo Pedro, o primeiro homem era branco, aparentava ter entre 20 e 25 anos, usava calça tactel, casaco e boné preto. Ele portava uma arma de fogo na cintura e foi quem conduziu o veículo durante o crime.
O segundo homem era negro, magro, com aproximadamente 1,80m de altura, aparentando a mesma idade. Ele usava casaco de frio com capuz, tinha um piercing de cristal no nariz e portava um revólver. Foi ele quem vasculhou os pertences da vítima e fez ameaças durante o assalto.
Após o assalto seguido de sequestro, o suspeito que se apresentou como Douglas apagou o perfil no Grindr e bloqueou a vítima no WhatsApp.
Momentos de tensão e medo
Duas semanas após o sequestro, a vítima relatou, ainda, estar se recuperando do susto e do trauma. O prejuízo de Pedro foi somente financeiro, já que não foi ferido.
“Estou bem, mas com a cabeça ainda meio aérea, pois foram momentos de muita tensão e medo. Foram quase 3 horas sobre a mira de um revólver, ouvindo palavras de terror, além da insegurança de não sair com vida”, relatou a vítima.
A experiência de terror vivida por Pedro fez com que ele repensasse sobre os cuidados necessários ao encontrar uma pessoa desconhecida. “Minha dica para outros amigos que usam os aplicativos para se relacionar é buscar locais públicos com grande movimento. Também não se deve ir a lugares desconhecidos e evitar horários muito tarde. Outra dica é avisar para pessoas aonde está indo e criar uma rede de segurança”, comentou o professor universitário e enfermeiro.
O caso foi registrado como roubo com restrição de liberdade na 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) e encaminhado para investigação da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia Norte).
Até a última atualização desta reportagem, os suspeitos não haviam sido identificados e nem presos. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF (PCDF).
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com