Ultimo texto de Domingo Oliveira e ainda inédito nos palcos, “Ultimatum” estreia no Sesc de Cocapabana

Foto: Divulgação

Quando recebeu o convite para assistir a leitura de um texto novo de Domingos Oliveira (1936-2019), o encenador Marcio Meirelles não poderia imaginar que, anos depois, seria dele a missão de levar “Ultimatum”, a peça em questão, aos palcos. Mesclando ficção e realidade, e apontando que o processo criativo expõe não só as engrenagens do teatro, mas também as fragilidades humanas de seus atores e personagens, o último espetáculo do renomado autor ganha corpo e estreia dia 28 de maio, às 20h, no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, tendo sido selecionado pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar.

A história narra os dramas vividos por um grupo de teatro que, entre reflexões sobre arte, atuação e existência, tentam criar uma peça em meio à precariedade de tempo, dinheiro, certezas e dúvidas, trazendo à tona um mergulho no abismo do aleatório. A narrativa avança de forma fragmentada e metalinguística, misturando ensaio teatral, ficção televisiva e lembranças pessoais, questionando os limites entre personagem e ator, autor e obra. Em um jogo onde o acaso, o destino e a criação se entrelaçam, “Ultimatum investiga o impulso humano de dar sentido à vida, mesmo quando isto parece impossível.

“Quando tive contato com o texto, em meu último encontro presencial com Domingos, fiquei fascinado com sua complexidade e poesia, um texto com uma estrutura caótica, de fragmentos, de retalhos. Ao fim da leitura, pedi uma cópia do texto e disse a Domingos que queria montar. Ele me disse ‘Faça!’. Pra que eu faça uma peça hoje é preciso que ela me instigue, desafie e tenha alguma coisa que eu queira dizer. E essa fala do sentido da vida, e de alguma forma podemos concluir que o teatro, que pode nos mostrar o sentido da vida pela sua transitoriedade, porque fala a linguagem dos sonhos, porque cria poesia, pelo poder do aleatório, o que é falado logo no começo da peça”, adianta Marcio Meirelles, que monta um texto de Domingos Oliveira pela primeira vez.

Em um espaço onde ensaio, ficção e realidade se confundem, um grupo de atores tenta criar uma peça em meio à precariedade de tempo, dinheiro e certezas. Sob a condução instável de Eugênio – um dramaturgo fragmentado entre versões de si mesmo, o processo criativo expõe não só as engrenagens do teatro, mas também as fragilidades humanas de seus participantes. Entre reflexões sobre arte, atuação e existência, surgem várias histórias entrelaçadas, marcadas por desejo, ciúme, memórias, sonhos e delírios, e por uma herança de abandono, paixão e morte.

“O espetáculo é como uma boneca russa – um dramaturgo cria o espetáculo, onde existe um grupo de teatro que está trabalhando o processo de escrita de uma peça que, por sua vez, é sobre um núcleo de roteiristas elaborando um, dois, três seriados para TV. Este texto traz muitas imagens de Domingos, de suas ideias, peças, filmes…”, adianta Marcio, lembrando que teve acesso não apenas ao texto final, mas às 12 versões escritas por Domingos e vários textos para os atores, com indicações para os ensaios. “Eu li tudo cotejando os textos para entender o que tinham ou não em comum, foi como assistir à gênese de uma obra, onde o que era necessário para sua narrativa estava sempre ali, com algumas cenas mudando de lugar, coisas a mais ou a menos, e outras que se repetiam em todas as versões. Eu acredito que Domingos ainda traria uma nova versão no dia da estreia, uma outra no meio da temporada… (risos) O teatro é uma obra viva e Domingos tinha uma inteligência enorme e inquieta”, pondera o diretor da montagem.

A direção de Marcio Meirelles na peça conduz, do encontro entre Salvador, sua terra natal, e o Rio de Janeiro, um elenco de destaque em uma criação potente e memorável. Em cena estão Adassa MartinsCiro SalesGuilherme MagonJojo RodriguesLucio TranchesiOrlando Caldeira e Valéria Monã. E a fase dos ensaios de Domingos com os atores que realizaram as primeiras leituras resultou numa dinâmica audiovisual onde artistas como Caio BlatClarice Niskier e Maitê Proença, entre outros, revezam-se entre trechos específicos da peça e depoimentos pessoais sobre a amizade / vida / obra de Domingos Oliveira. 

Toda dinâmica de troca que permeia a montagem relaciona-se diretamente com seus bastidores. A parceria criativa entre Ciro, ator da peça e produtor à frente da Otimistas, e Marcio é uma reedição do que ocorreu no mesmo formato em “Drácula”, espetáculo que estreou em 2012 no Teatro Vila Velha, em Salvador, contando também com o mesmo diretor musical e autor da trilha, João Milet Meirelles. Também são parcerias já ocorridas a do diretor com a atriz Valéria Monã e o ator Lúcio Tranchesi, com quem já trabalhou muitas vezes, assim como com a cenógrafa Mina Quental e o iluminador Paulo Cesar Medeiros.

Por outro lado, nos encontros que “Ultimatum” vem proporcionando, novas parcerias vêm sendo geradas, como o encontro criativo com a atriz e roteirista Priscilla Rozembaum, que presta uma colaboração artística à montagem, e também com Gunnar Borges, seu diretor assistente. Além de com o figurinista Tiago Ribeiro, o dramaturgo Pedro Emanuel e os atores Adassa Martins, Guilherme Magon, Jojo Rodrigues e Orlando Caldeira.

“Montar algo inédito é um privilégio, e ainda que Domingos já tivesse levado essa obra à cena, esta seria diferente. Por mais que me identifique com a peça e com Domingos, somos dois artistas diferentes. Existe um respeito absoluto e uma cumplicidade entre a encenação e a dramaturgia escrita, e temos desenvolvido um processo investigativo e quase arqueológico para chegar ao ponto de partida do autor, a que chaves ele nos deixou. Num dado momento da peça o diretor diz aos atores ‘Não representem!’ e isso é algo que poderia ter sido dito por mim”, finaliza Marcio.

SERVIÇO

  • Ultimatum”
  • Temporada: 28 de maio a 21 de junho de 2026
  • Horário: Quintas e sextas-feiras, às 20h. Sábados e domingos, às 18h*
  • *Nos dias 13 e 19 de junho não haverá apresentação em virtude dos jogos do Brasil na Copa do Mundo. Assim, nos dias 06 e 20 de junho haverá sessão extra às 20h
  • Local: Arena do Sesc Copacabana
  • Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana – Rio de Janeiro
  • Ingressos: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional, convênio e programa Mesa Brasil); R$27 (conveniados), R$21 (credencial plena Sesc); Gratuito (público PCG).
  • Bilheteria – Horário de funcionamento: Terça a sexta-feira – das 9h às 20h; Sábados, domingos e feriados – das 13h às 19h
  • Informações: (21) 3180-5226
  • Classificação Indicativa: 14 anos
  • Duração: 90 minutos
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Fonte do Conteudo: Mateus Aguiar – diariodorio.com

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