‘Pacote de mimos’: tudo o que Vorcaro bancou para Ciro Nogueira, segundo a PF

Entre 2024 e 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro gastou ao menos R$ 468.721,78 com viagens internacionais realizadas pelo senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Os pagamentos foram revelados pela Polícia Federal e constam em um relatório da investigação divulgado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF, na terça-feira, 16.

De acordo com as investigações, os gastos se referem a hospedagens em hotéis de luxo nos Estados Unidos e na Europa, alimentação em restaurantes de alto padrão e a estadia em uma das estações de esqui mais luxuosas do mundo (veja mais detalhes abaixo). Em algumas viagens, Ciro Nogueira estava acompanhando da companheira, Flavia Roberta Rosalen.

“As vantagens indevidas pagas por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira não se encerravam apenas no custeio de voos em jatos privados, porquanto alguns voos eram parte de um pacote completo de ‘mimos’ realizados ao mencionado parlamentar”, diz o relatório da PF. Os gastos detalhados ocorreram nos seguintes estabelecimentos:

  • Restaurante Gigi (Paris): R$ 10.175,82, (abril de 2024)
  • Hotel Hyatt (Nova York): R$ 245.153,37 (maio de 2024)
  • Hotel Four Seasons (Lisboa): R$ 91.280,59 (junho de 2024)
  • Estação de Esqui Courchevel (Saboia, França): R$ 122.112,00 (janeiro de 2025)

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Jantar de luxo e estação de esqui na França

Na França, Vorcaro custeou os passeios de Nogueira em pelo menos duas ocasiões. Uma delas foi um jantar no Restaurante Gigi Paris, renomado estabelecimento de culinária italiana na capital francesa, em 13 de abril de 2024, que custou mais de 10.000 reais com direito a concierge. Em mensagens obtidas pela PF, o banqueiro orienta um contato no país europeu a garantir o conforto do senador: “Diga a ele que o principal convidado se chama Ciro”, escreveu.

Em outra aventura pela França, em janeiro de 2025, Ciro Nogueira e Flavia Rosalen se hospedaram por cerca de uma semana na glamourosa Courchevel, uma das estações de esqui de mais alto padrão do mundo, situada nos Alpes Franceses. Por meio do intermediário Leo Serrano, também investigado pelo escândalo do Master, Vorcaro pagou pela alimentação diária do casal, incluindo refeições nos restaurantes La Soucoupe e Le Tremplin que, sozinhas, superaram 122.000 reais.

Ainda em Courchevel, as mensagens extraídas pela PF indicam que Vorcaro orientou Serrano sobre o local específico da hospedagem e medidas das roupas de esqui a serem compradas para Nogueira e Flavia. O gasto total na estação de esqui, conforme a investigação, pode ter passado de 1,8 milhão de reais. 

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Hotéis glamourosos nos EUA e Portugal e envolvimento de Hugo Motta

Em maio de 2024, Daniel Vorcaro teria bancado a estadia de Ciro Nogueira e de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, no Hotel Hyatt, em Nova York. Os políticos participavam de um evento do Fórum LIDE Empresarial na cidade americana, e as hospedagens em duas suítes da classe Royal custaram mais de 245.000 reais.

Além da hospedagem, Vorcaro levou Nogueira em passeios pelos Estados Unidos em um avião particular. Fotos encontradas pela PF nos celulares do banqueiro mostram os dois na aeronave em pelo menos dois aeroportos: Fort Lauderdale, em Los Angeles, e Nova Jersey, ilha vizinha a Nova York.

Já em Portugal, em junho de 2024, Vorcaro convidou Nogueira para um evento privado em Lisboa, do qual também participou o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e teria pago pela hospedagem de ambos no Hotel Four Seasons, na capital portuguesa. Os custos identificados pela PF relativos à viagem passam de 91.000 reais.

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‘Mesada’ de Vorcaro a Ciro Nogueira chegou a pelo menos R$ 6 milhões, diz PF

Os valores do “pacote de mimos”, segundo a Polícia Federal, eram adicionais aos pagamentos mensais que Daniel Vorcaro fez a Ciro Nogueira entre junho de 2024 e agosto de 2025. Conforme as investigações, o senador recebeu ao menos 300.000 reais por mês para promover leis no Congresso que atendessem aos interesses do banqueiro, totalizando um mínimo de 6 milhões de reais em vinte meses.

As transferências eram realizadas por meio de uma complexa rede de empresas de fachada pertencentes a Nogueira e a aliados de Vorcaro, incluindo Leo Serrano e dois parentes do banqueiro: o tio Oscar Vorcaro e o primo Felipe Cançado Vorcaro. Ambos, pai e filho, tiveram as prisões mantidas pelo Supremo Tribunal Federal na última terça-feira, 16.

Fonte do Conteudo: Bruno Caniato – veja.abril.com.br

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