A dor de cabeça aparece logo cedo. O estômago fica embrulhado, a sede parece não passar e qualquer barulho incomoda. Para muita gente, a ressaca é o preço cobrado pelo organismo após uma noite de exagero no consumo de álcool.
Embora os sintomas sejam conhecidos, ainda existem muitas dúvidas sobre o que realmente ajuda na recuperação e quais atitudes podem piorar o quadro.
Especialistas explicam que não existe uma cura instantânea para a ressaca, mas algumas medidas podem reduzir o desconforto e ajudar o corpo a voltar ao equilíbrio.
O que acontece no organismo após o excesso
A ressaca é resultado de uma série de alterações provocadas pelo álcool. O fígado, principal órgão responsável por metabolizar a substância, precisa trabalhar mais para eliminar os compostos tóxicos gerados durante o processo.
“A ressaca é uma resposta do fígado, que é responsável por metabolizar o álcool no organismo. Ao ampliar sua atividade, ele passa por um período de intoxicação”, explica o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Segundo o especialista, os sintomas costumam surgir cerca de dez horas após a ingestão da bebida e podem durar até 24 horas. “São efeitos fisiológicos e psicológicos que surgem quando se ingere grandes quantidades de álcool. O tempo de duração varia de acordo com o sexo, o peso e os fatores genéticos do indivíduo”, afirma. Além do fígado, o sistema digestivo também sofre os impactos do consumo excessivo.
Por que o estômago fica tão sensível?
Náusea, queimação, desconforto abdominal e perda de apetite estão entre as queixas mais comuns de quem acorda de ressaca. De acordo com o gastroenterologista Lucas Nacif, o álcool irrita a mucosa gástrica, camada que reveste internamente o estômago e ajuda a protegê-lo da ação dos ácidos digestivos.
“O álcool age como um irritante para a mucosa gástrica, que é a parede interna do estômago, causando inflamação. Esse processo prejudica a produção de muco protetor, essencial para proteger o estômago dos ácidos gástricos”, explica o médico.
Como resultado, o sistema digestivo pode levar algumas horas para se recuperar completamente. Água, descanso e alimentação leve são os principais aliados. A primeira recomendação dos especialistas para quem exagerou na bebida é simples: beber água.
O álcool favorece a desidratação, o que contribui para sintomas como dor de cabeça, boca seca, tontura e sensação de cansaço. Repor líquidos ajuda o organismo a funcionar melhor durante a recuperação.
O descanso também é importante. Dormir adequadamente permite que o corpo direcione energia para restaurar funções que foram prejudicadas pelo excesso de álcool.
Na alimentação, a orientação é optar por refeições leves e de fácil digestão, evitando sobrecarregar ainda mais o sistema digestivo. Embora nenhum alimento elimine a ressaca, alguns podem contribuir para aliviar parte dos sintomas.
Alimentos que podem ajudar na ressaca
- Melancia e outras frutas ricas em água;
- Laranja e frutas cítricas;
- Vegetais frescos;
- Batata-doce;
- Pães e torradas;
- Arroz e outras fontes leves de carboidratos;
- Água ao longo de todo o dia.
O que não fazer quando se está de ressaca
Muitas soluções populares não apenas falham como podem agravar o mal-estar. Uma delas é apostar em refeições ricas em gordura e açúcar na tentativa de “curar” a ressaca.
“Curar ressaca com junk food é a pior escolha: o corpo já está sobrecarregado pelo álcool e recebe mais uma dose massiva de açúcar e gordura para se preocupar”, alerta Lucas Nacif.
Os especialistas também recomendam cautela com atividades físicas intensas. Como o organismo já está lidando com desidratação e fadiga, treinos pesados podem aumentar o desconforto. Caso a pessoa se sinta bem, caminhadas leves podem ser uma alternativa mais adequada.
Apesar das inúmeras receitas caseiras divulgadas para combater a ressaca, a recuperação depende principalmente do tempo que o organismo leva para eliminar os efeitos do álcool. Hidratação adequada, alimentação equilibrada e repouso continuam sendo as estratégias mais indicadas pelos especialistas.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com