A atividade física deixou de ser vista apenas como uma recomendação para manter a saúde em dia. Hoje, ela é considerada uma ferramenta poderosa na prevenção e até no tratamento do câncer. Estudos recentes apontam que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de desenvolver diversos tipos de tumores e também têm melhores resultados após o diagnóstico da doença.
A relação entre exercício e prevenção do câncer vem sendo reforçada por pesquisas internacionais. Uma das mais recentes, conduzida pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos (NCI), mostrou que até mesmo atividades de baixa intensidade podem contribuir para reduzir o risco da doença.
Os benefícios são observados em diferentes tipos de câncer, especialmente os de mama, colorretal, endométrio, fígado, estômago e pulmão.
Como a atividade física protege o organismo
A proteção oferecida pela atividade física está diretamente ligada a uma série de mudanças positivas que acontecem no organismo. Entre elas estão a redução da inflamação crônica, o controle do peso corporal, a melhora da circulação sanguínea e o fortalecimento do sistema imunológico.
Segundo o oncologista Rafael Castro, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, o exercício atua em mecanismos biológicos diretamente relacionados ao surgimento dos tumores.
“A prática regular de atividades físicas estimula células do sistema imunológico responsáveis por identificar e eliminar células pré-cancerosas antes que elas se transformem em tumores clinicamente detectáveis”, explica.
Além disso, a atividade física ajuda a controlar hormônios como estrogênio e insulina, que, quando estão elevados, podem favorecer o crescimento de células cancerígenas. O exercício também reduz a gordura visceral, associada à produção de substâncias inflamatórias que aumentam o risco de doenças.
Sedentarismo cria ambiente favorável para tumores
Se o movimento protege, a falta dele pode representar um fator de risco importante. O sedentarismo favorece o ganho de peso, aumenta processos inflamatórios e provoca alterações hormonais que podem contribuir para o desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
De acordo com o médico do esporte Páblius Braga, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, a atividade física funciona como uma reguladora natural do organismo.
“Praticar exercícios regularmente melhora a circulação corporal e ajuda a prevenir inflamações crônicas, que estão associadas ao surgimento de diversos tipos de câncer”, afirma.
O especialista destaca ainda que o controle da gordura corporal é um dos principais mecanismos envolvidos na prevenção da doença. Quanto menor o acúmulo de gordura, menor tende a ser a inflamação sistêmica e, consequentemente, o risco de alterações celulares.
Para obter benefícios consistentes, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é realizar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada, como caminhada, ciclismo ou natação.
Benefícios também aparecem durante e após o tratamento
Os ganhos da atividade física não se limitam à prevenção. Cada vez mais estudos demonstram que pacientes diagnosticados com câncer também podem se beneficiar da prática regular de exercícios, desde que acompanhados por profissionais de saúde.
Pesquisas recentes indicam que programas estruturados de atividade física podem reduzir o risco de recidiva em alguns tipos de câncer, além de melhorar a qualidade de vida durante o tratamento. Entre os efeitos observados estão a redução da fadiga, o controle da ansiedade e da depressão, além da preservação da força muscular e da capacidade funcional.
“A atividade física é um grande coadjuvante no tratamento do câncer porque melhora a circulação, favorece a absorção de nutrientes e contribui para o bem-estar físico e emocional do paciente”, destaca Braga.
Com evidências cada vez mais sólidas, especialistas defendem que a atividade física seja encarada como um dos pilares da prevenção do câncer. Mais do que um hábito saudável, movimentar o corpo regularmente tornou-se uma estratégia capaz de reduzir riscos, fortalecer o organismo e aumentar as chances de uma vida mais longa e saudável.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com