Eleições 2026: Escândalo e luta interna abalam ‘máquina’ eleitoral do PT na Bahia

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Faltam nove dias para o 2 de julho, dia de celebração da Independência da Bahia ou da adesão baiana à Independência brasileira. Estava prevista a participação de Lula que, no palanque, louvaria os candidatos do Partido dos Trabalhadores: à reeleição no governo estadual, Jerônimo Rodrigues; ao Senado, os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner.

Wagner tenta renovar o mandato de senador que ganhou em 2019 com um desempenho eleitoral exuberante — mais de 4,2 milhões de votos, 35% do total. Quando voltou ao poder, há pouco mais de três anos, Lula o nomeou líder do governo no Senado.

No roteiro original para o comício de 2 de julho, quinta-feira da próxima semana, Wagner seria exaltado como arquiteto-responsável pelo domínio do PT na política baiana nas últimas duas décadas.

Na semana passada, no entanto, o líder de Lula no Senado virou personagem da galeria de políticos enredados no caso Master, a bilionária fraude financeira. Caiu na rede, assim como Flávio Bolsonaro, candidato presidencial do Partido Liberal, e, Ciro Nogueira, senador e presidente do Partido Progressistas, entre outros.

O escândalo das fraudes do Banco Master atingiu o coração do PT na Bahia. São imprevisíveis os efeitos eleitorais da investigação em andamento contra Wagner. Porém, em contraste com o tratamento do PL a Flávio Bolsonaro e do PP a Ciro Nogueira, a cúpula petista parece ter feito uma opção preferencial pela autofagia. A cobrança pública da renúncia de Wagner à liderança do governo no Senado tem como pretexto a contenção de danos, mas deixa transparecer uma luta dentro do PT por posições-chave na definição do rumo do partido a partir do ano que vem, com ou sem Lula no Planalto.

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O PT da Bahia se consolidou como motor da “máquina” eleitoral petista. Na eleição contra Jair Bolsonaro deu a Lula sete em cada dez votos válidos em mais de 90% dos municípios baianos. Ou seja, assegurou quase quatro milhões de votos de vantagem ao seu candidato na disputa com Bolsonaro. Isso foi suficiente para compensar perdas nas urnas do Sul e do Sudeste e garantir o retorno de Lula à rampa do Palácio do Planalto, pela terceira vez em duas décadas.

Não é pouca coisa. Só foi possível porque o PT baiano opera a máquina do poder há cinco administrações, com Jaques Wagner no governo estadual (2007-2014), sucedido por Rui Costa (2015-2022) e Jerônimo Rodrigues (desde 2023).

A onda de choque do escândalo do Master no coração do petismo baiano tem potencial desastroso. Se consequências são inevitáveis, neste caso tendem a ser agravadas por uma espécie de autofagia petista,  conscientemente seletiva.

Fonte do Conteudo: José Casado – veja.abril.com.br

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