Ir além do limite físico pode afetar desempenho dos jogadores na Copa

Jogar a Copa do Mundo é uma oportunidade única: apenas um grupo seleto de jogadores profissionais é escolhido para participar do evento. Justamente por isso, muitos atletas se esforçam ao máximo nas partidas para vencer e ficar mais próximo da taça. No entanto, ultrapassar o limite físico, ao invés de ajudar, pode acabar trazendo consequências negativas para a continuidade da disputa do torneio.  

De acordo com especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a fadiga em excesso afeta diretamente a coordenação motora, o equilíbrio, o tempo de reação e a tomada de decisões em campo. Como consequência, o desempenho do jogador cansado cai e ele deixa de conseguir realizar tarefas primordiais no duelo, como realizar movimentos corretos, mudar de direção e desacelerar. 

“O cansaço excessivo aumenta o risco de lesões musculares, entorses, lesões ligamentares e choques entre jogadores. Não é por acaso que muitas lesões acontecem nos minutos finais de cada tempo”, aponta o médico do esporte Anderson Clayton Sant’Anna, do Paraná Futebol Clube e da clínica INKI, no Paraná.

O fisiologista Herbert Gustavo Simões explica que, em média, os atletas percorrem de 10 a 14 km durante uma partida de futebol. Diante de tamanho esforço, se não forem repostos de forma adequada, os níveis de minerais essenciais para funcionamento dos músculos e do cérebro caem e prejudicam o desempenho esportivo.

“Quando o processo contrátil fica prejudicado, o jogador perde potência, força e resistência. Se um time inteiro se apresentasse dessa forma, facilmente ele perderia o jogo”, diz o especialista, que também é professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Calor excessivo nos EUA pode deixar jogadores ainda mais cansados

Um desafio ainda maior para os atletas na edição atual da Copa é o calor dos Estados Unidos. Apesar de ser disputada no Canadá e no México também, a maioria dos confrontos está marcada para o país, que tem sofrido diversos alertas de temperaturas extremas. Como consequência, os atletas ficam mais suscetíveis a se cansarem mais rápido em campo e alcançarem o limite mais cedo.

“Durante o esforço físico, o corpo já produz muito calor e, quando o ambiente está quente e úmido, perde eficiência para resfriar-se. Com isso, o atleta sua mais, perde líquidos e sais minerais, tem aumento da frequência cardíaca e tende a se cansar mais rápido”, explica a médica do esporte  Camila Venturim, da clínica Amplexus Saúde Especializada, em Brasília.

Para equipes provenientes de locais mais frios, o obstáculo se torna ainda maior. Como solução a fim de evitar problemas, times como a Noruega já foram flagrados treinando sem camisa ou utilizando coletes de gelo com o objetivo de diminuir a temperatura corporal.

Antes do limite: quais estratégias podem diminuir o desgaste dos atletas

É possível diminuir a fadiga excessiva dos atletas mesmo em meio a uma competição altamente disputada. Para a tarefa, é necessário conciliar medidas antes, durante e depois dos confrontos. Entre as ações, estão:

  • Antes da partida: a comissão técnica foca na preparação física dos atletas, focando na melhora da aptidão física, resistência aeróbica e treinos de velocidade.
  • Durante a partida: no dia do duelo, os jogadores descansam, realizam treinos e se hidratam bastante, consumindo especialmente bebidas isotônicas, ricas em minerais, que diminuem o risco de desidratação, lesões e acidentes.
  • Após a partida: os atletas continuam se hidratando com bebidas isotônicas associadas a uma alimentação rica em nutrientes para recuperar a energia corporal.

Apesar do esforço da comissão técnica, Simões afirma que, para as estratégias darem certo, é necessário um esforço individual do próprio atleta. 

“A gente escuta muita história de jogador que gosta de sair à noite. Essas atitudes podem impactar no resultado do time posteriormente, especialmente se o jogador for de uma posição que corre muito, como meio campistas e laterais. Se a prevenção não for feita antes, durante e depois, os atletas estão mais sujeitos a lesões e acidentes”, afirma o fisiologista.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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