Hábitos comuns na Copa podem aumentar risco de infarto, diz médico

A Copa do Mundo costuma mexer com o corpo antes mesmo de a bola rolar. A ansiedade pela escalação, o medo da eliminação, a euforia do gol e a tensão nos minutos finais dos jogos podem acelerar os batimentos cardíacos, aumentar a pressão arterial e deixar o organismo em estado de alerta.

Para a maioria das pessoas, a reação passa depois do apito final. Mas, em quem já tem fatores de risco, como hipertensão, diabetes, tabagismo, colesterol alto ou doença cardíaca conhecida, a emoção intensa pode funcionar como gatilho para arritmias, crise de pressão e até infarto.

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O cardiologista Carlos Bonasso Filho, do Ambulatório Geral de Cardiologia do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP, explica que o estresse emocional agudo pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.

“Quando estamos tensos, nosso corpo libera muita adrenalina e cortisol, o que aumenta os batimentos e a pressão arterial”, afirma.

Na prática, o corpo reage como se estivesse diante de uma ameaça o tempo todo. O coração bate mais rápido, os vasos podem se contrair e a pressão sobe. Em pessoas predispostas, a resposta pode ultrapassar o limite seguro.

O cardiologista Eugênio Moraes, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que o mecanismo mais provável envolve uma descarga intensa de substâncias ligadas ao estresse, como adrenalina e noradrenalina. Segundo ele, isso pode gerar taquicardia, elevar a pressão arterial e aumentar a necessidade de oxigênio no músculo cardíaco.

“O risco é ainda maior quando a pessoa já tem placas de gordura nas artérias coronárias. Nessas situações, a emoção forte pode contribuir para a instabilidade da placa, sua ruptura e o início de um evento coronariano agudo,” explica o especialista.

Álcool, cigarro e comida pesada pioram o risco de infarto

O problema não está apenas na emoção. Em dias de jogo, muitas pessoas dormem mal, bebem e fumam mais, comem alimentos gordurosos e exageram no sal. A combinação pode formar uma sobrecarga para o coração.

“Esses fatores não apenas se somam, eles se multiplicam, criando uma ‘tempestade’ para o coração”, alerta Bonasso Filho.

De acordo com o cardiologista, o excesso de sal favorece retenção de líquido e aumento rápido da pressão. Já alimentos gordurosos podem dificultar a digestão e exigir mais do sistema circulatório. O álcool em excesso pode provocar arritmias, enquanto o cigarro causa contração dos vasos sanguíneos.

Moraes reforça que o evento cardíaco costuma resultar de um conjunto de fatores, não de uma causa isolada. “A emoção intensa, somada a álcool, pressão alta, tabagismo e outros riscos, pode aumentar a chance de complicações em pessoas vulneráveis,” alerta.

Sinais que não devem ser ignorados

Nem toda palpitação durante o jogo indica um problema grave. Mas alguns sintomas exigem atenção imediata, como:

  • Dor ou aperto no peito;
  • Falta de ar desproporcional;
  • Suor frio;
  • Tontura;
  • Náusea;
  • Desmaio;
  • Palpitações que não melhoram após alguns minutos de repouso.

Para quem já trata hipertensão, arritmia ou insuficiência cardíaca, Bonasso Filho faz um alerta direto: “A regra de ouro é: não mude sua rotina de medicação. Muitas pessoas esquecem ou pulam doses na empolgação do evento. Isso é perigoso”. Também vale evitar discussões acaloradas durante a partida, principalmente entre pessoas muito ansiosas ou com histórico cardíaco.

Alguns cuidados simples ajudam a reduzir a tensão. Respirar de forma lenta, inspirando por quatro segundos e expirando por seis, pode ativar o nervo vago, que ajuda a reduzir a frequência cardíaca. No intervalo, levantar, caminhar um pouco e sair da frente da TV também ajuda a aliviar a tensão acumulada.

Manter boa hidratação, evitar excesso de álcool, reduzir comidas muito salgadas e gordurosas e dormir bem antes dos jogos são medidas importantes. Para quem tem risco cardíaco, exercícios intensos durante partidas muito emocionantes não são recomendados.

Os especialistas alertam que se o jogo provocar mal-estar, aperto no peito ou sensação de descontrole, o torcedor deve se afastar da tela e buscar atendimento se os sintomas persistirem. Com atenção aos sinais do corpo, é possível viver a emoção da Copa sem deixar a saúde do coração fora de campo.

Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com

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