Salvator Rosa volta ao Theatro Municipal do Rio após 80 anos

foto: Saleyna Borges

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro recebe, em julho, uma das principais montagens de sua temporada lírica de 2026. Após 80 anos fora do repertório da casa, a ópera Salvator Rosa, de Antônio Carlos Gomes, volta ao palco em uma nova produção que celebra os 117 anos da instituição.

A montagem também homenageia os 190 anos de nascimento e os 130 anos de morte de Carlos Gomes, principal nome da ópera brasileira no século XIX. As apresentações acontecem nos dias 12, 14, 15, 17 e 18 de julho. A sessão de 14 de julho, data de aniversário do Theatro Municipal, será gratuita, dentro do programa Theatro Municipal de Portas Abertas.

Com patrocínio oficial da Petrobras, a produção reúne os três corpos artísticos da casa: Coro, Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A concepção e direção cênica são de Julianna Santos. A direção musical e regência ficam a cargo de Luiz Fernando Malheiro.

A última montagem de Salvator Rosa no palco do Municipal havia ocorrido em 1946. O retorno da obra recupera uma página importante da história do teatro e recoloca em cena uma ópera de grande força dramática no repertório de Carlos Gomes.

Ópera estreou na Itália em 1874

Salvator Rosa teve estreia mundial em 21 de março de 1874, no Teatro Carlo Felice, em Gênova, na Itália. A ópera tem libreto de Antonio Ghislanzoni, inspirado no romance Masaniello, do escritor francês Eugène de Mirecourt.

A obra foi dedicada ao engenheiro e abolicionista André Rebouças e surgiu logo após a recepção menos favorável de Fosca, outra ópera de Carlos Gomes. Escrita em apenas seis meses, Salvator Rosa apostou em melodias mais diretas, forte apelo dramático e uma linguagem que conquistou o público italiano.

Entre 1876 e 1877, a ópera foi escolhida para abrir temporadas em alguns dos principais teatros da Itália, consolidando-se como uma das obras mais populares do compositor. No Brasil, foi apresentada pela primeira vez em 29 de julho de 1882, em Belém.

“Após reger Salvator Rosa em Manaus, dentro da cooperação entre o Festival Amazonas de Ópera e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, fico feliz em estar participando dessa recondução da linda ópera de Antônio Carlos Gomes ao repertório desta casa, onde tive a satisfação de reger Il Guarany e Condor, ambas em forma de concerto em anos anteriores. Nosso maior compositor do século dezenove precisa estar sempre presente nas programações dos nossos teatros”, afirma Luiz Fernando Malheiro, diretor musical e regente.

Nova montagem revisita revolta popular em Nápoles

A ópera narra o romance entre o pintor italiano Salvator Rosa e Isabella, filha do opressor Duque d’Arcos. A trama mistura paixão, conflito político e a revolta popular liderada por Masaniello contra a dominação espanhola em Nápoles, no século XVII.

Na nova montagem, a direção cênica aproxima a narrativa histórica de uma leitura visual contemporânea. Pinturas atribuídas a Salvator Rosa deixam de ser apenas referência estética e passam a integrar a dramaturgia do espetáculo.

“Esta montagem convida o público a revisitar a Revolução Napolitana do século XVII por um olhar atual. As pinturas de Salvator Rosa deixam os museus e passam a integrar a narrativa da ópera: cada obra foi escolhida para dialogar com a dramaturgia, ampliando a força visual e emocional do espetáculo”, ressalta Julianna Santos, diretora cênica.

Carlos Gomes e o lugar de Salvator Rosa em sua obra

Nascido em Campinas, em 11 de julho de 1836, Antônio Carlos Gomes cresceu em uma família ligada à música. Filho de Manoel José Gomes, conhecido como Maneco Músico, o jovem compositor aprendeu instrumentos ainda cedo e começou a ganhar projeção com modinhas, hinos e apresentações em São Paulo.

Aos 23 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar no Conservatório de Música, então dirigido por Francisco Manuel da Silva, autor do Hino Nacional. Ainda estudante, assumiu funções ligadas à direção musical no Teatro Lírico Fluminense. Ali, estreou sua primeira ópera, A noite do castelo, em 1861. Dois anos depois, apresentou Joana de Flandres.

Com bolsa para se aperfeiçoar na Itália, Carlos Gomes chegou a Milão em 1864. Após dificuldades iniciais para ingressar no conservatório local, recebeu o título de maestro em 1866. O reconhecimento internacional viria pouco depois, com Il Guarany, ópera baseada no romance de José de Alencar, que estreou no Teatro alla Scala, em 1870, com grande sucesso.

Depois do triunfo de Il Guarany, o compositor buscou se afastar do exotismo indígena e mostrar que também poderia escrever uma ópera de perfil europeu. Vieram então Fosca, de 1873, e, logo em seguida, Salvator Rosa, criada em parceria com Antonio Ghislanzoni.

No texto de apresentação da montagem, Bruno Furlanetto observa que Salvator Rosa nasceu após um período difícil para o compositor, mas acabou se tornando uma das obras de maior sucesso popular de Carlos Gomes. A ópera chamou atenção pela clareza melódica, pelo colorido dramático e por uma estrutura que dividia o interesse musical entre vários personagens.

Elenco alterna nomes nas apresentações

O papel-título será interpretado por Marcello Vannucci e Enrique Bravo, em elencos alternados. Isabella será vivida por Marly Montoni e Marianna Lima. Já Gennariello terá Carolina Morel e Maria Gerk.

O elenco reúne ainda Vinícius Atique e Johnny França como Masaniello; Savio Sperandio e Licio Bruno como Il Duca d’Arcos; Murilo Neves e Leonardo Thieze como Corcelli; Geilson Santos e Ivan Jorgensen como Conde Badajos; Ricardo Gaio e Jessé Bueno como Fernandez; Gabriele de Paula e Magda Belloti como Bianca; Lara Cavalcanti e Carla Rizzi como Suora Ines; e Patrick Oliveira e Ciro d’Araújo como Fra Lorenzo.

A ficha técnica tem coreografia de Hélio Bejani, Márcia Jaqueline e Rodolfo Saraiva; direção de movimento de Mônica Barbosa; design gráfico de Carla Marins; cenografia de Renato Theobaldo; figurinos de Marcelo Marques; e iluminação de Paulo Ornellas.

A direção artística da temporada 2026 é de Eric Herrero. A presidência da Fundação Teatro Municipal é de Clara Paulino.

Serviço

Salvator Rosa, de Antônio Carlos Gomes
Com Coro, Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Marechal Floriano, s/nº, Centro, Rio de Janeiro

Datas e horários
12 de julho, estreia, às 17h
14 de julho, sessão gratuita do Theatro Municipal de Portas Abertas, às 19h
15, 17 e 18 de julho, às 19h

Duração: 3 horas, com 1 intervalo
Classificação indicativa: 14 anos

Ingressos
Frisas e camarotes: R$ 90, ingresso individual
Plateia e balcão nobre: R$ 80
Balcão superior e lateral: R$ 50
Galeria central e lateral: R$ 20

Ingressos à venda no site oficial do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na bilheteria do teatro. A venda do terceiro lote começa em 6 de julho. A partir de 7 de julho, serão disponibilizados os ingressos gratuitos para a sessão de 14 de julho, com limite de dois ingressos por CPF.

Haverá palestras gratuitas antes dos espetáculos.

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Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com

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