Flávio Bolsonaro e o Partido Liberal resolveram questionar pesquisas no Tribunal Superior Eleitoral. É legítimo e, no caso, pode até ser útil à gerência da campanha para ofuscar as críticas dos eleitores ao candidato da extrema direita à presidência da República. Porém, não deixa de ser tentativa de editar a realidade a apenas onze semanas da primeira rodada de votação.
O problema de Flávio Bolsonaro não está no fortalecimento do adversário Lula, que se mantém na liderança com média de 40% da preferência, mas na própria fragilidade: ele conseguiu realizar a proeza de aumentar sua rejeição eleitoral, que já era recorde.
Em abril, era rejeitado por 52% dos eleitores — indicava a pesquisa Quaest/Genial da época. Lula se destacava na dianteira, com 55% de repúdio.
A situação mudou. E piorou para o candidato Bolsonaro, mostra a sondagem divulgada pela Quaest/Genial nesta quarta-feira (15/7).
Ele se tornou o candidato mais rejeitado em junho, com 56% dos entrevistados dizendo que não votariam nele — três pontos à frente de Lula.
A rejeição avançou para 57% na pesquisa realizada no último fim de semana. São cinco pontos percentuais acima do patamar de abril.

Nesse ritmo, ele se arrisca a chegar ao primeiro turno eleitoral com mais de 60% de rejeição declarada por eleitores.
A maioria das pesquisas sugere que o declínio do candidato do Partido Liberal nas intenções de voto ocorreu a partir das confusões em que se meteu.
Uma delas foi a revelação de que tomou 61 milhões de reais do antigo dono do Banco Master, preso por fraudes bilionárias. Outra foi a briga familiar com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o acusou em público de desrespeito, maltrato e humilhação.
Em abril, Flávio Bolsonaro disputava com Lula a liderança na preferência dos eleitores para o primeiro turno. Na época, a diferença entre eles era de cinco pontos percentuais. Essa distância aumentou. Agora é o dobro.
Fonte do Conteudo: José Casado – veja.abril.com.br