O laudo cadavérico de Monique de Oliveira Fernandes, de 33 anos, apontou que ela ainda estava viva quando foi enterrada dentro de casa pelo namorado, Mário Almeida Pinto, 46, em São José do Calçado/ES. O exame revelou a presença de terra nos brônquios, na traqueia e nos bronquíolos da vítima, indicando que ela respirava enquanto era enterrada.
A conclusão do laudo também mudou a compreensão sobre a causa da morte. Segundo o delegado Messias Sirtuli, que conduziu as investigações quando era titular da Delegacia de São José do Calçado, Monique não morreu em consequência do golpe que recebeu na cabeça. A causa da morte foi asfixia.
Foi encontrada nos brônquios, na traqueia, nos bronquíolos de Monique, terra e, junto com a terra, um material esbranquiçado. O mesmo material, a mesma terra em que ela foi enterrada, foi encontrada dentro das suas vias respiratórias. Messias Sirtuli, delegado
Segundo Sirtuli, o resultado comprova que Monique ainda respirava no momento em que foi colocada na cova feita dentro da residência onde morava com o companheiro, Mário Almeida Pinto, de 46 anos.
“E comprova o que se afirma: Monique estava viva, ainda respirava enquanto foi enterrada. O laudo, contudo, não vai mostrar, ele não tem como mostrar se ela estava consciente ou não”, afirmou.
O delegado explicou que não é possível afirmar, pelo exame, se Monique estava consciente quando foi enterrada pelo namorado. Para ele, a vítima provavelmente já estava inconsciente, embora ainda apresentasse sinais de respiração.
Monique foi morta em 30 de junho, diz investigação
De acordo com o delegado, a investigação aponta que Monique foi morta provavelmente no dia 30 de junho. Na manhã daquela data, uma câmera de videomonitoramento de um vizinho registrou a vítima entrando na própria casa.
No dia seguinte, 1º de julho, Mário foi até uma loja de materiais de construção e comprou cimento e areia por volta das 7h40. O material foi entregue na residência.
Segundo Sirtuli, Mário passou o restante do dia trabalhando e retornou para casa à noite. A polícia acredita que, naquele momento, Monique já estava morta ou havia sido enterrada na residência.
Corpo foi enterrado e piso reformado
O desaparecimento de Monique foi registrado pela mãe dela em 7 de julho. Durante as buscas, a Polícia Civil recebeu a informação de que o companheiro fazia uma obra na residência onde o casal morava. A reforma chamou a atenção dos investigadores, principalmente porque Monique estava desaparecida.
O suspeito chegou a afirmar inicialmente que a companheira havia saído de casa e levado as duas filhas. Com o avanço das investigações, porém, Mário compareceu à delegacia acompanhado de um advogado e confessou o crime.
Ele indicou aos policiais o local onde havia enterrado o corpo. Monique foi encontrada em 24 de julho, enterrada em um dos cômodos da casa. Após o enterro, segundo a investigação, o suspeito refez o contrapiso e instalou um novo piso cerâmico para esconder o cadáver.
Suspeito responderá por feminicídio e ocultação de cadáver
Mário foi preso inicialmente em flagrante pelo crime de ocultação de cadáver. Segundo a Polícia Civil, o feminicídio teria ocorrido dias antes da apresentação espontânea dele à delegacia, o que impediu a prisão em flagrante pelo homicídio naquele momento.
Com a conclusão do laudo cadavérico, o delegado afirma que Mário responderá por feminicídio, com causa de aumento de pena relacionada à forma como a vítima morreu.
“Devido a isso, Mário vai responder pelo crime de feminicídio, com a causa de aumento de pena de um terço até a metade, devido à causa da morte ter sido asfixia. E também, como já sabemos, responder pelo crime de ocultação de cadáver”, afirmou Sirtuli.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br