Ler Resumo
-
A segurança pública é a maior preocupação dos eleitores, mas a análise das pesquisas aponta para uma frustração iminente. Os candidatos líderes, Lula e Flávio Bolsonaro, carregam um histórico que não inspira confiança para combater a criminalidade sistêmica, sugerindo que a “Oligarquia dos Poderes” persistirá.
-
Este resumo foi útil?
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
As últimas pesquisas de opinião vêm registrando reiteradamente que o tema mais relevante atualmente para os eleitores brasileiros é a solução da longa e crônica crise de criminalidade – e problemas afins de segurança pública – que nossa sociedade vem atravessando, em todas as regiões do Brasil de norte a sul, leste a oeste.
Em ano de eleições para presidente e governadores de Estado, o assunto esquenta ainda mais, e as promessas de entregar (o que nunca foi entregue por ninguém) se proliferam, em forma de bravatas, fanfarronices e planos invariavelmente inconsistentes e/ou inexequíveis.
Esse anseio – hoje quase um sonho – da nossa população é certamente de conhecimento dos candidatos ao Palácio do Planalto. Mas, pelo andar da carruagem, essa demanda, ao que parece, não será atendida tão cedo.
E o mais insólito – e contraditório – dessa situação, é que a sociedade será frustrada nesse seu maior desejo, por conta das suas próprias escolhas eleitorais, a serem manifestadas nas urnas, em outubro próximo. Isso porque, se houver a consolidação – no segundo turno – dos dois candidatos que hoje lideram as pesquisas de intenções de voto – o presidente Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro – não haverá absolutamente nada que nos autorize – nem de longe – a acreditar que não vamos seguir patinando no enfrentamento a esses níveis insustentáveis de criminalidade.
Tudo indica que a nossa angustiante crise de segurança pública terá ainda de aguardar mais longos quatro anos para que alguma medida séria seja desenhada e colocada em prática – quiçá pelo mandatário que assumir após o pleito de 2030.
Não podemos tapar o sol com a peneira: nenhum dos dois, nem Lula nem Flávio, tem autoridade moral para comandar o necessário enfrentamento à macrocriminalidade e, principalmente, à corrupção sistêmica e ao crime institucionalizado que corroem nossas instituições.
Quanto a Lula, não há um só problema crônico hoje no Brasil que não encerre um pouco da sua responsabilidade, seja por ação ou omissão. E a crise de criminalidade não deixa de ser um desses problemas, e certamente um dos mais complexos e deletérios de todos eles. Tudo, ou bem ou mal, passou por ele… Não podemos esquecer que dos últimos 24 anos Lula e/ou o PT – Partido dos Trabalhadores – governaram por pelo menos 18 anos.
Se a crise se avolumou e se prolongou por todos esses anos em que Lula esteve à frente do país, nada nos faz acreditar que no próximo mandato ele faria algo diferente, até porque Lula – e principalmente o PT – não tem cacoete nem DNA de combater a criminalidade, e não seria agora, num possível governo “Lula IV” que o presidente se tornaria um paladino da justiça, colocando o enfrentamento à criminalidade como prioridade.
Isso sem falar em escândalos de corrupção gigantescos que estouraram em sequência em seus governos, como Mensalão e Petrolão – cujo envolvimento e participação (por ação ou omissão) do presidente tiveram seus julgamentos impedidos ou frustrados por meras tecnicalidades processuais, o que deixou metade da população brasileira com fundadas suspeitas de culpa em relação a Lula. O atual e bilionário escândalo dos aposentados do INSS, embora não atinja diretamente o presidente, o desgasta consideravelmente, pois demonstra como ele se deixa cercar por assessores e colaboradores que se envolvem em esquemas de corrupção, que é o caso do seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Ribeiro Santana, o Marcola.
Quanto a Flávio Bolsonaro, os problemas e o seu potencial de frustração não são um milímetro menores em relação aos de Lula. Flávio segue fielmente a cartilha do pai, o ex-presidente e hoje presidiário Jair Bolsonaro, que teria iniciado todos os seus filhos, inclusive – e principalmente – Flávio, na abominável prática das rachadinhas. Há, na vida do senador, um histórico reprovável de situações inexplicáveis e extremamente suspeitas, que igualmente não nos autorizam a depositar confiança em sua capacidade de enfrentar a criminalidade. Temos as compras de inúmeros imóveis com dinheiro vivo; a sua loja de chocolates que recebia depósitos em dinheiro durante o tempo em que foi deputado estadual; a mansão onde mora em Brasília que foi comprada por 6 milhões de reais dos quais não se sabe a origem; sua ligação com Queiroz, operador das rachadinhas; a medalha em homenagem que dedicou ao miliciano Adriano da Nóbrega, e, finalmente, os 61 milhões de reais que pediu ao banqueiro bandido Daniel Vorcaro – vergonhosamente registrado em áudio, situação inexplicada até o momento.
Bom relembrar que o crime se combate top-down, de cima para baixo, isto é, os grandes esquemas envolvendo delinquência institucionalizada de agentes políticos e altos servidores públicos devem ser prioritariamente alvejados. E Lula e Flávio – apesar de aparentemente posicionados em polos opostos – são hoje atores centrais e nucleares dessa “Oligarquia dos Poderes” em que o Brasil se transformou, e estão muito mais propensos a seguirem fazendo composições e escolhas políticas para a manutenção dessas oligarquias, do que a liderarem projetos sérios de enfrentamento à macrocriminalidade.
Finalmente, estamos testemunhando a absurda contradição de vermos liderando as pesquisas de intenção de voto, Lula e Flávio, justamente os dois candidatos menos qualificados para atender a nossa maior urgência: o enfrentamento à criminalidade que corrói nossas chances de avançar como nação. Vamos sofrer as consequências das nossas escolhas.
Fonte do Conteudo: Felipe Barbosa – veja.abril.com.br