Um fantasma de 2014/2015 começa a rondar o atual governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), e seu antecessor, Renato Casagrande (PSB). A equipe de transição do governador eleito, Lorenzo Pazolini (Republicanos), avalia a contratação de uma empresa de auditoria externa para analisar contratos e contas das secretarias estaduais, autarquias e empresas públicas.
O objetivo, segundo integrantes da equipe, é obter um diagnóstico da situação administrativa e financeira do Governo do Estado, com informações que possam orientar as primeiras decisões da futura gestão.
A possibilidade ainda está em estudo, principalmente pelos custos envolvidos. Entre as opções consideradas estão empresas de auditoria de grande porte.
O movimento faz ressurgir um fantasma conhecido dos casagrandistas. Em 2014, Paulo Hartung (PSD) derrotou Renato Casagrande, que tentava a reeleição, ainda no primeiro turno. Na transição para 2015, o então governador eleito também levantou questionamentos sobre a situação das contas estaduais e a necessidade de uma avaliação técnica.
O capítulo seguinte veio em janeiro daquele ano, quando Hartung encaminhou uma revisão da proposta orçamentária à Assembleia Legislativa. O valor passou de R$ 17,3 bilhões, previstos pela administração Casagrande, para R$ 16 bilhões. Uma redução de R$ 1,3 bilhão.
Na ocasião, a justificativa foi de que a estimativa de receitas apresentada pelo antecessor estava superestimada em 7,8%. A medida provocou críticas de aliados do socialista e marcou o início da terceira passagem de Hartung pelo Palácio Anchieta.
Os ajustes atingiram o custeio do Executivo, os investimentos e os orçamentos dos demais Poderes. À época, a secretária estadual da Fazenda, Ana Paula Vescovi, explicou que a maior parte da redução decorria de uma reestimativa da arrecadação, diante da perspectiva de queda nas receitas de ICMS, royalties e participação especial do petróleo.
Passados quase 12 anos, o cenário político apresenta algumas semelhanças. Desde a campanha, Pazolini tem manifestado preocupação com o comportamento futuro das receitas estaduais, inclusive pelos possíveis impactos da reforma tributária.
Há, contudo, diferenças importantes. De lá para cá, o Espírito Santo consolidou indicadores fiscais e alcançou a classificação A+ na avaliação da capacidade de pagamento realizada pelo Tesouro Nacional. Além disso, Ricardo Ferraço assumiu o governo após a saída de Casagrande, mantendo a continuidade administrativa do grupo político.
Ainda assim, uma eventual auditoria externa, seguida de questionamentos sobre as projeções orçamentárias, poderá abrir espaço para uma narrativa semelhante à construída por Hartung em 2015.
Para Pazolini, seria uma oportunidade de estabelecer seu próprio diagnóstico das contas públicas e justificar eventuais mudanças de rumo. Para Ricardo e Casagrande, o risco político estaria na possibilidade de a próxima administração colocar sob suspeita números e decisões de uma gestão que tem apresentado o equilíbrio fiscal como uma de suas principais marcas.
É justamente nesse ponto que o fantasma de 2014/2015 volta a aparecer. A discussão pode deixar de ser apenas sobre a situação financeira do Estado e se transformar em uma disputa de versões sobre a herança administrativa recebida pelo novo governador.
Resta saber se Pazolini seguirá o roteiro de Hartung ou se a auditoria, caso seja contratada, ficará restrita a um levantamento técnico, sem os desdobramentos políticos e orçamentários daquele período.
A ver.
Fonte do Conteudo: Poder ESHoje – eshoje.com.br