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TCE-ES firma acordo histórico no combate à desinformação

Encontro realizado pelo TCE-ES contou com a presença de especialistas do tema e assessores de municípios capixabas

Por Robson Maia

Na tarde desta segunda-feira (24), o Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES) realizou a assinatura de um termo de cooperação para combater a desinformação inédito no estado. O encontro, ocorrido na sede do Tribunal, reuniu especialistas em mídia e em combate à desinformação.

Antes da assinatura do termo, os presentes apresentaram suas respectivas visões sobre o tema em um painel para assessores municipais e jornalistas presentes. Os palestrantes apontaram que a principal solução para a onda de desinformações que vive o mundo é por meio da educação midiática, transparência nas informações públicas e regulamentação das redes sociais.  

O vice-presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e presidente da Rede Gazeta, Café Lindenberg, apontou que o combate à desinformação não pode ser algo exclusivo do cidadão. “Empresas, academia e instituições públicas devem atuar de forma responsável para reduzir a desinformação. É fundamental que o poder público se envolva com este tema de forma transparente e comprometida com princípios democráticos”, disse.  

Em sua fala, Lindenberg também reconheceu a crise de credibilidade do jornalismo e ressaltou a necessidade de regulamentação das redes sociais.

“As redes sociais ampliaram o poder destrutivo das mentiras. Em questão de minutos elas podem afetar a vida de milhares de pessoas. Usuários vivem em bolhas informativas, recebendo conteúdos que apenas reforçam suas crenças e com grande influência das big techs. Isso reforça a necessidade de regulamentação das redes”, acrescentou o empresário.

O professor do Departamento de Estudos de Mídia da Universidade de Virgínia (EUA), David Nemer, que realiza pesquisas sobre o tema, relacionou o aumento da desinformação com a fragilização da democracia. “Vimos uma série de discursos que polarizaram e contaminaram a opinião pública. Esses discursos visavam a erosão da confiança nas instituições públicas e essa desconfiança é muito perigosa. Quando decisões políticas e sociais são tomadas com base em dados distorcidos ou errôneos, isso fragiliza a democracia”, afirmou. 

Para ele, o combate deve ser multidisciplinar. “As raízes que alimentam as desinformações estão ligadas a fatores sociais, psicológicos e tecnológicos. Da mesma forma, o combate a ela deve ser multidisciplinar, exigindo conhecimento em comunicação, política, tecnologia, transparência nos atos públicos entre outros temas”, destacou o pesquisador.

Nemer também defendeu a regulamentação das redes sociais, mostrando a existência de convergência sobre as formas de se enfrentar esse mal. “A regulação das redes sociais é essencial. Nelas, os indivíduos estão menos expostos ao contraditório. Os algoritmos priorizam informações falsas e isso faz com que elas circulem numa velocidade até seis vezes mais rápida que uma informação verídica”, pontuou.  

“Assim, é preciso que o Estado que cuida dos seus cidadãos na vida offline também cuide deles no online. Enfrentar a desinformação é um ato de defesa da própria nação e uma batalha que se ganha dia após dia”, concluiu. 

O coordenador de Relações com a Sociedade e Combate à Desinformação no Supremo Tribunal Federal (STF), Victor Durigan, concordou com os demais palestrantes e parabenizou as instituições que assinaram o termo de cooperação e disse que esta ação dá esperança de um futuro próspero.

“São raros os momentos que podemos observar a cooperação em seu mais valioso sentido. A democracia plena só é alcançada quando realizada por toda a sociedade”, disse Durigan.

 “Já foi dito sobre a importância da regulação das redes. Destaco, também, a necessidade da educação midiática e digital à população. Precisamos fazer com que as pessoas tenham base para consumir informação de forma crítica e as escolas prepararem os alunos para o mundo digital”, alertou.  

“Sabemos que muito ainda precisa ser feito, mas nem tudo está perdido e hoje vimos um pouco disso. Precisamos encontrar soluções possíveis. Durante a pandemia, uma colaboração sem precedentes permitiu o desenvolvimento de vacinas. Ali ficou demonstrado que o progresso está relacionado às redes de cooperação e é isso que precisamos fazer”, concluiu o representante do STF.

Fonte do Conteudo: Robson Maia – esbrasil.com.br

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