Há quem acredite que o dia só começa depois de uma boa xícara de café. Conhecido por ser uma das bebidas mais populares entres os brasileiros, o famoso “pretinho” tem uma data reservada em sua homenagem. Nesta segunda-feira (14) é comemorado o Dia Mundial do Café, data que relembra a importância do grão para diversos setores do país.
A história do café no Brasil, e em especial no Espírito Santo, é uma narrativa rica que abrange desenvolvimento econômico, transformações sociais e a construção de uma identidade cultural. Sua trajetória no país começou no século XVIII, quando as primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa.
Inicialmente cultivado em pequenas propriedades, o café rapidamente se espalhou e se tornou uma das principais commodities do país. De acordo com a história, os primeiros registros do cultivo de café no Brasil foram em 1727, no Pará. Porém, foi no século XIX que a produção ganhou força, especialmente nas regiões sudeste e sul do país.
Neste período o Brasil vivenciou o chamado Ciclo do Café, momento em que o produto se tornou o principal item de exportação do país. A expansão cafeeira foi tamanha que moldou a economia, influenciou a política e alterou a geografia brasileira.
Essa fase foi marcada pela utilização intensa do trabalho escravo, que sustentou a expansão cafeeira até a abolição em 1888. Após isso, o setor passou por uma grande reestruturação, adotando a mão de obra imigrante, principalmente italiana, o que influenciou diretamente a composição étnica de várias regiões brasileiras.
Apesar de São Paulo ter se destacado como o principal produtor, atraindo imigrantes, especialmente italianos, que contribuíram para a expansão das lavouras, o Espírito Santo desempenhou um papel crucial na história do café brasileiro. No final do século XIX, o estado começou a se destacar na produção de café arábica, especialmente nas regiões de Montanhas e Norte do Espírito Santo.
A condição climática, com altitudes e solos férteis, proporcionou um ambiente ideal para o cultivo. Na década de 1940, as terras capixabas passaram a ser uma das principais exportadoras de café do Brasil, contribuindo significativamente para a economia local.
As cidades de Venda Nova do Imigrante e Divino de São Lourenço tornaram-se conhecidas pelas plantações. O café capixaba, especialmente o café arábica, ganhou reconhecimento pela qualidade, tornando-se um produto apreciado tanto nacional quanto internacionalmente.
A história mostra ainda que o cultivo do café não apenas moldou a economia, mas também a cultura das regiões produtoras. Celebrações como a Festa do Café em Venda Nova do Imigrante, por exemplo, comemoram a tradição e a importância do café na vida das comunidades locais.
Sem dúvidas, o grão está intrinsecamente ligado à identidade brasileira, simbolizando hospitalidade e convivência. A presença marcante o ajudou a se consolidar como parte do imaginário afetivo do brasileiro. Expressões como “vamos tomar um café?” se tornaram sinônimo de encontro, pausa, afeto e até negócios.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), em 2024 a média de consumo de café torrado e moído por pessoa no país foi de 5,01 kg. Isso equivale a cerca de 1.430 xícaras por ano.
ES é um dos principais polos de cafeicultura do Brasil

Em março de 2025, o Espírito Santo registrou um desempenho notável nas exportações de café, com um total de 185.791 sacas negociadas a um preço médio de US$ 327,15.
Esse volume de vendas gerou uma receita equivalente a US$ 60.782.254,01. Os dados são do relatório mensal do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV).
Segundo o levantamento, os 581 contêineres que deixaram o estado foram responsáveis pelo transporte de diferentes variedades de café: 30.280 sacas de café arábica, 113.339 sacas de conilon e 42.172 sacas de café solúvel. Tal diversidade reflete variedade da produção capixaba.
Além disso, também cabe destacar que a receita cambial acumulada em 2025 atingiu US$ 218.435.284,76, equivalente a 709.515 sacas de 60kg, com um preço médio de US$ 307,86 por saca.
Os números mostram a importância do café para a economia do Espírito Santo, ressaltando seu papel fundamental nas exportações do estado e a contribuição significativa para a balança comercial brasileira.
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Fonte do Conteudo: Giulia Reis – eshoje.com.br