Eu fico com as carnes tremendo. Meus olhos se enchem d’água. Uma tristeza funda, feita de agonia e silêncio, invade a minha alma. Eu sangro por dentro.
É mais uma de nós que tomba.
É mais uma mulher arrancada da vida, antes que pudesse continuar tecendo seus sonhos.
Um crime sem perdão. E nenhuma condenação, por mais severa que seja, será capaz de medir a monstruosidade de quem ousou dizer, um dia, que amava.
Ele está preso — e isso não significa redenção. Nem daqui a cem anos.
O desgraçado não apenas matou. Ele feriu com requintes de crueldade. Perverso, decapitou a jovem Carolayne Ferreira Santos, de apenas 24 anos, e escondeu pedaços de sua existência no quintal da casa que deveria ser abrigo.
Transformou em cova o chão que já guardou passos, risos, esperança.
Tanta covardia para afirmar uma força que não existe. Um ato que só revela a fraqueza de um machismo doentio, de um poder que não passa de sombra.
Estamos em agosto. Agosto Lilás, mês de combate à violência contra a mulher. Mas não basta.
Eles estão dentro das casas — o fuzil na mesa da cozinha enquanto a esposa prepara o jantar, a arma na cintura que pesa mais que qualquer palavra, o carro em movimento que vira sentença.
A ameaça é cotidiana, o medo é constante, e o fim, tantas vezes, previsível.
Queridos leitores, não sei qual caso é o pior que já escrevi. Só sei que, dentro de mim, a indignação pulsa sem descanso. Não podemos mais nos calar. Denunciar é preciso. Gritar é urgente.
Carolayne deixa sua família despedaçada — e nós, sociedade, sangramos junto.
Que Deus te acolha, menina.
E que o algoz encontre, no peso da justiça e do destino, o fim que merece.
Foto: reprodução TV Gazeta
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br