Agendamento de vistos americanos no Rio vira maratona, e consultorias exploram urgência de viajantes

Passageiros Circulando Pelo Interior do Aeroporto do Galeão – Foto: Divulgação

O agendamento de entrevistas para vistos no Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro transformou-se em uma corrida exaustiva para quem mora no Estado. Com agendas lotadas e tempo de espera que já supera os 30 dias — e pode chegar a dois anos, segundo especialistas —, floresceu um mercado paralelo de consultorias que cobram entre R$ 300 e R$ 1.399 para tentar antecipar a data do compromisso obrigatório. A prática, que se aproveita da ansiedade de quem precisa viajar a trabalho ou estudar, levanta debates sobre ética, transparência e abusos financeiros.

As mudanças nas regras para renovação e novos vistos implementadas durante o governo do presidente Donald Trump são apontadas como a raiz do problema. Antes, era possível renovar vistos vencidos há até 48 meses sem nova entrevista. Agora, praticamente todos os solicitantes — incluindo crianças e idosos — são obrigados a passar pelo processo presencial, sobrecarregando um sistema com número limitado de vagas.

“O número de solicitantes aumentou muito, mas o total de horários disponíveis permanece o mesmo. As filas tendem a se assemelhar ao período pré-pandemia”, explica Ana Beatriz Furtado Costa, proprietária da consultoria Mundial Vistos.

Como funcionam as consultorias

A estratégia das empresas é o monitoramento humano e ininterrupto do sistema de agendamentos do consulado, em busca de vagas que são liberadas por desistências ou realocação. Elas argumentam que a própria ferramenta do governo americano dificulta o acesso individual: múltiplas tentativas de login ou tempo excessivo conectado podem resultar em bloqueios temporários do usuário.

Por esse serviço de “plantão”, que não oferece garantia de sucesso, as consultorias cobram taxas adicionais. Uma empresa consultada pelo Diário do Rio oferecia três pacotes: o básico, com agendamento para fevereiro de 2026 por R$ 499; o “Plus”, para o fim de outubro deste ano por R$ 799; e o “Ultra”, que prometia uma vaga já no mês seguinte pelo valor de R$ 1.399.

Bia defende que os valores de sua empresa — uma taxa de assessoria (entre R$ 550 e R$ 590) mais uma de monitoramento (R$ 350) — refletem um trabalho especializado e ético. “Temos profissionais dedicados exclusivamente a isso; não usamos robôs. Isso exige dedicação, tempo e trabalho”, afirmou.

Consulado desencoraja uso de terceiros e alerta para golpes

Em nota, o Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro reafirmou que o agendamento e o reagendamento de entrevistas são serviços gratuitos, realizados exclusivamente em seu site oficial. A instituição alertou que “terceiros podem fornecer informações incorretas” e que “ninguém pode garantir um passaporte ou visto americano”.

O órgão informou que concede agendamentos acelerados apenas em casos de emergência genuína, como funerais, emergências médicas ou início iminente de aulas. Para solicitar a antecipação, é necessário primeiro agendar a primeira data disponível no sistema e, então, pedir a aceleração mediante comprovação documental da urgência. A decisão final cabe sempre à seção consular.

Ética e abusos no setor

A reportagem constatou que a pressão por vendas é uma prática comum entre algumas consultorias. A equipe do jornal, ao se passar por cliente, recebeu mais de sete ligações de uma agência mesmo após comunicar desistência.

Especialistas e empresas sérias do setor reconhecem que o cenário é propício para exploração. “Com certeza existem empresas e pessoas que se aproveitam da situação para cobrar preços exorbitantes, explorando a urgência do cliente”, admitiu Bia. Ela ressalta, porém, que o monitoramento, quando feito dentro das diretrizes do consulado, não configura “furar fila”, mas sim uma otimização do acesso a vagas já existentes.

A recomendação para o solicitante é de cautela. Contratar uma consultoria pode trazer comodidade, mas é crucial verificar a idoneidade da empresa para evitar golpes e garantir que o processo, que já é caro e burocrático, não se torne ainda mais custoso e frustrante.

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Fonte do Conteudo: Gabriella Lourenço – diariodorio.com

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