
O tempo passa, mas algumas vozes continuam a embalar corações como se nunca tivessem parado. O Blue Note Rio viveu isso na noite de sábado (30), com o show acústico do jamaicano Andru Donalds. Com sua voz inconfundível e presença carismática, o cantor fez a plateia flutuar por lembranças, sorrisos e até lágrimas.
Acompanhado por dois novos talentos brasileiros, Pedro Malcher (teclados) e Rafael Casqueira (guitarra), Andru apresentou uma versão intimista e poderosa de sua trajetória. A acústica do Blue Note ajudou: cada nota, cada nuance vocal, cada suspiro ganhou corpo. Um trio afinado, que parecia respirar junto.
Desde os primeiros acordes de “Somebody’s Baby” e “Mishale”, era evidente que estávamos diante de algo especial. “Hurts to Be in Love” e “Loving You” vieram como cartas escritas com saudade.
Mas não foi só nostalgia. Donalds soube costurar o setlist com respeito ao tempo, aos fãs e à sua história. O medley do Enigma foi um dos pontos altos: “Roundabout”, “Beyond the Invisible” e “Rivers of Belief” se fundiram como um mantra pop-new age, reverência aos mais de 70 milhões de discos vendidos pelo projeto. Em “Return to Innocence”, o público foi tomado por uma energia quase mística.

Um momento surpreendente foi o “Bob Marley Medley”, com versões de “Redemption Song” e “Iron Lion Zion”. Andru mostrou suas raízes e celebrou a força da música jamaicana. A plateia, emocionada, vibrou.
Andru Donalds ainda passou no meio da plateia, rodou o Blue Note, enquanto tiravam selfies e filmavam. O carisma e a simpatia dele são incríveis.
Porém, todos esperavam a salvação. Sim. A canção que segue tocando nas rádios brasileiras há 30 anos, como o próprio cantor disse. Quando chegou “Save Me Now”, o público cantou em uníssono. Difícil não se emocionar com esse clássico que embalou gerações, tema de novela, de amor e de lembranças que insistem em voltar. Foi realmente emocionante.
No bis, o cantor ainda apresentou um medley de Seal com “Kiss from a Rose” e “Crazy”. Uma escolha inteligente e emocional para encerrar o espetáculo com suavidade e impacto num show bem redondo, onde o jamaicano mostra com eficiência sua capacidade vocal e presença de palco ao lado de grandes músicos.
Andru Donalds: Um artista atemporal
Mesmo sem lançamentos de peso nos últimos anos, Andru Donalds demonstra que sua arte continua viva. A parceria com músicos brasileiros, como Ponto de Equilíbrio e Alexandre Kassin, e a colaboração com Diana King em “Sorry (I Wish I Could Change)” mostram um artista que se reinventa sem perder a essência.
Seu show no Rio foi uma bela surpresa para mim. Um dos melhores que vi no ano. Foi um reencontro com a nossa trilha sonora afetiva. Daquelas noites que ficam guardadas no canto bom da memória.
Fonte do Conteudo: Alvaro Tallarico – diariodorio.com
