Desocupação no Centro do Rio termina em confusão com uso de gás de pimenta e deputados feridos

Desocupação termina em confusão no Centro do Rio — Foto: Reprodução

Uma operação de desocupação em um prédio no Centro do Rio de Janeiro, realizada na manhã deste domingo (7), terminou em confusão, com uso de gás de pimenta por agentes da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Deputados presentes no local denunciaram agressões durante a ação, enquanto uma pessoa foi presa e duas ficaram feridas, sendo encaminhadas ao Hospital Souza Aguiar.

A confusão começou durante a retirada de cerca de 100 famílias — entre elas mulheres, crianças e idosos — de um prédio na Avenida Venezuela, na Região Portuária do Rio. O imóvel pertence à construtora Cury e está em processo de doação para a Prefeitura. Os organizadores afirmam que a ocupação buscava reivindicar moradia popular em um prédio abandonado e sem função social.

Deputados que acompanhavam a operação relataram episódios de violência. Os parlamentares Josemar (PSOL) e Tarcísio Motta afirmaram que a Guarda Municipal utilizou spray de pimenta contra eles ao tentarem fiscalizar a retirada das famílias. Motta ainda discutiu com o secretário de Ordem Pública, Marcus Belchior, que estava no local durante a operação.

A Prefeitura informou que o edifício será destinado ao futuro Centro Cultural Rio África, voltado à valorização da cultura afro-brasileira e à memória da diáspora africana. O espaço será erguido em frente ao Cais do Valongo, patrimônio mundial da Unesco. O prefeito Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro justificaram a ação afirmando que a ocupação comprometia o andamento das obras.

Segundo Tarcísio Motta, o prédio está vinculado à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) e integra o programa federal “Imóvel da Gente”, que destina imóveis públicos para habitação social. “A confusão começou quando guardas municipais entraram no prédio para retirar os pertences das famílias. Tentamos acompanhar, mas a Guarda Municipal impediu minha circulação. Estávamos apenas exercendo nossa prerrogativa parlamentar”, disse Motta.

Na tarde deste domingo, os deputados registraram boletim de ocorrência na 20ª DP (Vila Isabel) por agressão, lesão corporal e abuso de autoridade. Motta ainda pretende levar o caso à Câmara Municipal e ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).

O PLC 40/2025, assinado pelo governador Cláudio Castro, prevê o leilão de diversos imóveis, muitos deles ocupados por movimentos de moradia, sem oferecer alternativas habitacionais às famílias afetadas. Entre os imóveis ameaçados de remoção estão prédios na Rua da Carioca e arredores, área também contemplada pelo projeto “Rua da Cerveja”, do prefeito Eduardo Paes, voltado à urbanização com foco em comércio e turismo no Centro da cidade.

A Secretaria de Ordem Pública (Seop) não se posicionou sobre as denúncias de irregularidades durante a operação. A Polícia Militar acompanhou a ação, que não registrou incidentes graves além dos relatos de agressões.

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Fonte do Conteudo: Gabriella Lourenço – diariodorio.com

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