CIRCUNSTÂNCIAS – resposta ao artigo de Luciana Maximo | Jornal Espírito Santo Notícias

Resposta em concordância, pois a política atinge a todos independentemente do código postal. O texto é de Tadeu Santamarinha, administrador do Grupo Notícia & Fake

 

Luciana inicia com a desgraçada vida do pobre pescador, que na maioria das vezes desconhece por completo as nuances da política — ainda que seja ela a moldar diretamente os balanços do seu barco. Desde as bolinas que garantem a estabilidade da embarcação (sejam elas feitas nos estaleiros ou pelo Sr. Pituca, Jorades Miranda ou no Puri), até a quilha e o simples toque do vento, tudo se converte em guia das suas duras viagens. Viagens que podem ser gigantescas ou mínimas, mas sempre de grandeza, porque no mar não existem pequenos: todos os trabalhadores são igualmente desafiados e postos à prova.

A coragem inicial de uma vida sobre as águas é contida, mas requer uma fibra individual nata — força moral e emocional que permitirá ao homem erguer-se diante das batalhas. Nesta tormenta não há espaço para fracos. E, por vezes, nem a genética garante continuidade: a herança de caráter pode não encontrar bom porto em algumas vidas.

Na nossa amada cidade, até mesmo aqueles que nunca tiveram jeito para a pesca não deixam de sofrer, direta ou indiretamente, as suas influências. Por isso, afirmo que nem todos adquirem os elementos para uma vida digna moldada pela coragem, pela ética e pela sensibilidade. O mais humilde homem do mar transmite aos filhos valores de hombridade. No entanto, não basta bater no peito e dizer-se “justo” ou “direito” porque o pai regressava com o cesto pesado ou limpava os sargaços das redes na Praia Doce. Um pai honrado não repassa necessariamente a hombridade a um filho que se deixa seduzir pela corrupção, ou que mancha o nome da família com montantes avultados oriundos de uma vida pública embalada por chorudos presentes da política.

 

Na vida do mar não há voltinhas, não há molezas. Ao passar a boca da Barra, o homem já assinou um contrato silencioso com a coragem e com o respeito: coragem para enfrentar o mar, respeito por tudo que o rodeia. Por isso, de nada adianta vangloriar-se de que a família teve ou tem pescadores, se o presente herdeiro é apenas um angariador de brindes que colorem artificialmente a sua conta bancária.

Na minha opinião, e sem sequer falar dos perigos diários como defeitos mecânicos, mau tempo ou avarias no casco, o herdeiro despreparado não atinge o posto de “marinheiro” apenas por direito de sangue. Como lembrava Platão: “A boa herança não é a da fortuna, mas a da virtude.” A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito.” E Confúcio completaria: “Não é a herança, mas a virtude, que faz um homem nobre.” Receber as fichas do AA não torna um filho protegido do álcool, assim como herdar um nome honrado não torna ninguém digno do mar.

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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