Mais de 50 pessoas morreram e centenas ficaram feridas em protestos no Nepal

Ao menos 51 pessoas morreram e outras 1.300 ficaram feridas nos protestos anticorrupção no Nepal ao longo desta semana, informou o porta-voz da polícia do país, Binod Ghimire, nesta sexta-feira, 12. Entre as vítimas, estão 21 manifestantes, nove prisioneiros, três policiais e outras 18 pessoas, cujas informações não foram divulgadas. Mais de 12.500 detentos escaparam de prisões ao redor do território nepalês. 

“Cerca de 13.500 prisioneiros escaparam – alguns foram recapturados, 12.533 ainda estão foragidos”, anunciou Ghimire, informando que parte dos fugitivos teria tentado evadir para a Índia, onde foram presos pelas forças de fronteira.

Depois da invasão dos prédios do governo, com cenas de violência contra políticos, o primeiro-ministro KP Sharma Oli renunciou. O estopim da revolta foi a decisão do governo de bloquear 26 plataformas de redes sociais, mas a medida rapidamente desencadeou uma onda de insatisfação contra corrupção endêmica, desigualdade econômica e a concentração de poder nas mãos de uma elite política envelhecida.

A escalada das mortes ocorre em meio à expectativa de que a ex-presidente do Supremo Tribunal do país, Sushila Karki, seja nomeada primeira-ministra interina. Um especialista constitucional consultado pelo presidente do Nepal, Ramchandra Paudel, e pelo chefe do exército, Ashok Raj Sigdel, disse à Reuters que “eles (a Geração Z) a querem” e que a reunião para indicá-la acontecerá ainda nesta sexta.

+ A revolta Z: como eclodiu a crise generalizada provocada pela juventude do Nepal

Continua após a publicidade

Entenda a crise

A revolta expôs a frustração de uma geração que se autodenomina geração Z e que denuncia o abismo entre a vida luxuosa dos filhos da elite política, apelidados de “nepo kids”, e a realidade de um país em que o desemprego atinge sobretudo os jovens.

Nas semanas que antecederam os violentos protestos de segunda e terça-feira no Nepal, quando o parlamento, a Suprema Corte, sedes de partidos e as residências de políticos foram invadidas e incendiadas, vídeos e fotografias que pretendiam denunciar o estilo de vida opulento desfrutado pelos filhos dos governantes do país inundaram as redes sociais.

As imagens que viralizaram mostram herdeiros de ex-primeiros-ministros ostentando bolsas de grife e carros importados, relógios de milhões de dólares em uma pilha de presentes de Natal, embarcando em viagens luxuosas, ou jantando em restaurantes caros. Enquanto isso, cerca de 25% da população vive abaixo da linha de pobreza nacional, proporção alta mesmo para os padrões da região.

Continua após a publicidade

Palco de constantes escândalos, o Nepal é classificado pela Transparência Internacional como um dos países mais corruptos da Ásia. Recentemente, investigações revelaram o desvio de US$ 71 milhões na construção de um aeroporto na cidade de Pokhara, bem como um esquema de venda de vistos para jovens buscarem emprego nos Estados Unidos sob a falsa identidade de refugiados. Em ambos casos, ninguém foi indiciado.

 

 

Fonte do Conteudo: Paula Freitas – veja.abril.com.br

VEJA MAIS

Governo de SP premia 352 professores da Grande São Paulo na 1ª edição do Professor Nota 1.000

Ao todo, 25.000 professores foram reconhecidos no estado em premiações que reconhecem destaques na rede…

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde maio

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de ajuste nesta terça-feira (6), após a euforia…

Mega-Sena 3067 acumula, e prêmio vai a R$ 100 milhões. Veja resultado

Ninguém acertou as seis dezenas do Concurso nº 3.067, da Mega-Sena, sorteado na noite desta…