Crônica: Toda ação tem reação | Jornal Espírito Santo Notícias

Nos bastidores da política de uma Cidade cujas areias cobertas por conchas, o palco é pequeno, o drama é grande. Cada voto, cada gesto, cada silêncio é uma peça no tabuleiro de um jogo onde o poder nunca dorme, cochila, de olhos abertos. E, como em toda boa peça política, sempre há quem queira mudar o roteiro, mesmo sem saber o final. Tenta, aposta, se joga. Improviso não funciona.

Não adianta bater o pé, fazer birra ou desafiar a engrenagem. O sistema é antigo, robusto e, sobretudo, paciente. Ele tratora e tratora sorrindo. É a máquina que não se abala com bravatas, apenas engole quem se mete nos dentes de ferro.
Como diria minha amiga Eliana Sabino, faz isso “de boaça”. E, convenhamos, jogo é jogo, e quem não souber blefar, perde até a alma.

A política é o tabuleiro mais traiçoeiro que existe. O povo? Ora, o povo é quem fornece as peças e ainda aplaude o xeque-mate. É ele quem põe e quem tira, quem ergue o herói e o abandona na sarjeta do esquecimento. Tem também os que preferem esperar o caminhão de barro, o saco de cimento, a lajota de última hora. Esses não são ingênuos, são cúmplices do sistema, e valem a mesma moeda do seu representante.

Uma pena, há quem ainda não tenha entendido que política não é no grito. É na conversa, no acordo, na troca de favores e no aperto de mãos disfarçado. Quem não cede, quebra. E quando ninguém cede, o jogo vira guerra.

Alguns eleitos subiram no palanque embalados pelo sobrenome — o “pódio de papai”. E, de repente, acharam que podiam dar as cartas, como se o baralho lhes pertencesse. Esqueceram que, sem papai, não teriam nem a mesa de jogo.
Vencidos pelas urnas, mas não pelo senso de realidade, chegaram com a lista de pedidos nas mãos, certos de que o poder é um balcão de trocas.

E ainda tentam vender o discurso da “fiscalização”. Ah, quanta pureza simulada. É interesse, é vantagem, é palco. O resto é figurino. Ao povo, as batatas, ou, se quiserem ser mais sinceros, as migalhas do banquete do poder.

E aí veio o capricho do destino: a birra política, o orgulho ferido, a falta de diálogo.
O resultado? Quinze servidores demitidos, onze deles assessores dos próprios vereadores que bateram de frente com o presidente. A pirraça virou demissão, e o “troco” veio rápido, como toda reação inevitável.

O poder é vaidoso, quanto mais o desafiam, mais ele mostra os dentes.
E, convenhamos, Eliezer não inventou o jogo, apenas jogou conforme as regras.
O problema é que tem gente que quer vencer sem saber as manhas do tabuleiro.

E quanto ao “Alemão”? Pois é, pocou as urnas, fez história, entretanto, voto alto não compra sabedoria. Temperamento explosivo e destempero emocional não combinam com o xadrez político. Quem joga de cabeça quente, derruba as próprias peças.

A presidência da Câmara, dizem os antigos, sempre teve a bênção do Executivo — tirando aquela jogada lendária do terno azul, claro. Mas agora, o roteiro mudou. O acordo se partiu, os aliados viraram adversários e a sessão virou espetáculo.
A suplementação não passou.
E a reação veio certeira: demissões em massa.

E assim, Piúma assiste, mais uma vez, ao seu teatro do poder. A plateia finge espanto, os atores seguem interpretando e o roteiro — bem, o roteiro continua o mesmo: toda ação tem reação.

Agora é hora de recolher as lágrimas, engolir o orgulho e aprender. Porque no jogo da política, quem não aguenta o tranco, pede pra sair.

 

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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