Um legado de vida, coragem e amor, escrito à mão e guardado por décadas, ganha o público neste domingo (12) na Feira Sesc da Letra (FLINC), em Vila Velha. Keila Gava, formada em Letras Português/Literatura, lança o livro “Dona Lelé, a parteira, relatos do Partejar no interior do Espírito Santo”, uma obra que materializa o sonho de sua mãe, a parteira Helena Santolim Gava, e resgata a memória do nascimento de centenas de capixabas.
A gênese do livro remonta a 26 de julho de 1986, quando a própria Dona Lelé escreveu a primeira linha de seu diário em Burarama, com uma dedicatória profética: “Eu, Helena Santolim Gava, quero deixar esse livro para meus filhos, netos e outros, como foi a minha vida de parteira. E que essas linhas sirvam de exemplo para quem as lê”. Atuante entre as décadas de 1960 e 1990, ela narrou 34 de seus partos mais marcantes, descritos como milagrosos, desafiadores e até políticos, antes de falecer em 1992.
A missão de transformar os manuscritos em livro foi assumida por Keila após uma experiência transformadora em 2017, quando presenciou o parto de uma amiga. O momento despertou o que ela chama de “ancestralidade”, levando-a a se formar como doula e a se aprofundar no universo do partejar. Foi durante a pandemia de Covid-19 que Keila se dedicou a “gestar” a obra de sua mãe. “Na pandemia, eu resgatei esse livro e interagi com ele durante dois anos, vivendo mesmo o que era minha mãe, conhecendo a parteira”, conta Keila.
O processo foi meticuloso e emocionante. Keila visitou as famílias de todas as pessoas citadas nos relatos para obter autorização e recontar a elas a história de seus nascimentos sob a ótica da parteira. O projeto é uma produção independente, sem leis de incentivo, financiado no total por Keila e publicado pela Semente Editorial.
Keila faz questão de destacar a rede de apoio que tornou o livro realidade. A equipe inclui sua sobrinha, Poliana Gava, no prefácio; a amiga Vanessa Frisso do Espírito Santo na orelha; Miria Cavalcante na revisão; Zanette Dadalto nas fotografias; Rodrigo Santolim Frisso no tratamento de imagens antigas; e Aline Maria como assistente pessoal.
O primeiro lançamento ocorreu em Burarama, em 13 de julho deste ano, data que marcou os 33 anos da passagem de Dona Lelé, em um evento batizado por Keila como a “Páscoa de Dona Lelé”. Agora, o livro chega a um público mais amplo na FLINC. “Trazer Dona Lelé de volta, para mim, é um ato de muito orgulho, muita honra e muita coragem. É um renascer e, ao mesmo tempo, um parir”, finaliza Keila.
O lançamento na FLINC acontece neste domingo, 12 de outubro, das 12h30 às 13h30, no Parque Cultural Casa do Governador, em Vila Velha.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br