
Produzida pelo DIÁRIO DO RIO, a segunda reportagem da série Nota Baixa fala sobre os problemas que crianças com necessidades especiais enfrentam em escolas da rede pública municipal da cidade do Rio de Janeiro.
Na semana do dia do professor, o DIÁRIO DO RIO publica três reportagens mostrando problemas na maior rede municipal de educação da América Latina, que conta com mais de 1550 escolas. A terceira e última será sobre a tão falada climatização e as altas temperaturas nas cozinhas, onde trabalhadores chegam a sofrer com temperaturas que chegam aos 50 graus.
Mãe de um menino do espectro altista com 9 anos de idade, Joyce Loyola conta que na escola do seu filho são 78 alunos incluídos (com necessidades especiais) para uma média de quatro mediadores escolares.
“É preciso contratar profissionais, abrir concurso para gente que tem qualificação e qualificar todos os profissionais que já trabalham nas escolas, do porteiro até a pessoa que limpa os banheiros. Saúde e educação andam juntas, se tivéssemos um parâmetro e um controle saberíamos o quantitativo real das pessoas com deficiências e teríamos estratégia. As famílias que vão atrás, insistem, às vezes, conseguem mediadores, mas não era para ser assim. Era para ser para todos. O FUNDEB era para ser usado, mas não é de forma correta. Tem que ter investimento de verdade na educação inclusiva, mas na realidade só há maquiagem“, afirma Joyce.
Rosilene Almeida, diretora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro – Sepe/RJ, reforça a visão de Joyce: “Uma única professora com 25 crianças na sala, às vezes com dois, três do espectro altista, não tem como dar a devida atenção e cuidado. Tem que ter profissionais adequados para esses casos”.
Joyce conta que seu filho chegou a ficar sem mediador na escola onde estuda. A mãe não foi avisada imediatamente e ficou sabendo pelas crianças da turma. Há um ofício para que o menino tenha mediação. “Começaram a me mandar relatórios dizendo que meu filho havia molhado a blusa, não havia levado o copo, me pressionando a tirar ele da escola“, detalha.
A pressão sofrida por Joyce é mais comum do que se imagina. Ingrid Moura, que também é mãe de um menino do espectro altista, passou por uma situação parecida.
“Meu filho usa fralda, precisa de um mediador direto e ficou meses sem nenhum. Quando fui reclamar na escola, me disseram que eles não tinham mediadores o suficiente no momento e sugeriram eu trocar meu filho de escola, isso no meio do ano“, disse.
A exclusão não para por aí. Joyce lembrou de um episódio que aconteceu na escola do seu filho: a semana da educação especial, dedicada aos alunos com alguma necessidade, mas não somente a eles, não teve a mesma divulgação que outros eventos como dia da família e outros têm. “Inclusão é para todos, para quem tem filho com deficiência, crianças, todos”.
Em nota enviada à reportagem do DIÁRIO DO RIO, a Secretaria Municipal de Educação informou que “tem ampliado o atendimento na Educação Especial, passando de 18 mil alunos em 2021 para 29 mil atualmente, com 9 mil profissionais e apoio do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA). Nem todos os estudantes necessitam de mediador exclusivo; a necessidade é definida por avaliação psicopedagógica, considerando comportamento, independência e necessidades específicas. A organização das turmas segue a Resolução SME nº 360/2022: Educação Infantil até 25 alunos (acréscimo de 10% quando necessário); do 1º ao 3º ano até 30 alunos, ajustando para inclusão de até três estudantes da Educação Especial; do 4º ao 6º ano até 35 alunos, e do 7º ao 9º até 40, também com ajustes para inclusão”.
Fonte do Conteudo: Felipe Lucena – diariodorio.com