Esquema digital revelou desvio R$ 1,4 bilhão de aposentados e pensionistas
Por Denise Miranda
Em uma das sessões mais tensas da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, o senador Magno Malta (PL-ES) protagonizou nesta segunda-feira (10) um embate contundente com o empresário Igor Dias Delecrode, de 28 anos, acusado de participar de um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas. O senador, visivelmente indignado, pediu a prisão do depoente e o classificou como “um gênio do mal”.
Delecrode, sócio de empresas de tecnologia da informação, é apontado pelos investigadores como o cérebro por trás de sistemas criados para falsificar assinaturas digitais e burlar a biometria do INSS. As manobras tecnológicas, segundo a CPMI, disfarçavam descontos irregulares e desvios em benefícios previdenciários, movimentando um volume estimado em R$ 1,4 bilhão.
Amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário optou por permanecer em silêncio, alegando o direito constitucional de não produzir provas contra si. Seu advogado sustentou que a defesa ainda não teve acesso integral aos autos do processo.
O silêncio, no entanto, foi o estopim para uma reação explosiva de Magno Malta. Em participação remota, o senador capixaba exigiu que as câmeras mostrassem o rosto do empresário e disparou: “Eu queria olhar para esse gênio. Você se nega a dizer o nome do seu pai e da sua mãe. Espero que você tenha pai e que não tenha nascido de chocadeira.”
Em tom de indignação crescente, Malta comparou o acusado a criminosos comuns. “Tudo o que você fez não é diferente do que faz o bandido que toma o carro de alguém na marra. A diferença é que você usou terno, gravata e uma tela de computador”, afirmou, enfatizando o impacto das fraudes sobre idosos e famílias de baixa renda.
O senador ainda fez referência a uma passagem bíblica para ilustrar a falta de arrependimento do acusado: “Quando Jesus entrou na casa de Zaqueu, ele disse: ‘Se tirei algo de alguém, devolverei quatro vezes mais’. Falta a você, rapaz, as palavras de Zaqueu.”
Durante sua fala, Malta também fez um apelo direto ao ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso no STF. “Ministro André Mendonça, olhe bem para esse rosto. Ele precisa ser reconhecido na rua, no aeroporto, como o gênio do mal que defraudou os aposentados deste país.”
O empresário, por sua vez, limitou-se a informar que é formado em auditoria financeira, vive em São Paulo e atua no ramo de tecnologia da informação — o que chamou de “um hobby”. Nenhuma pergunta dos parlamentares foi respondida.
A CPMI do INSS foi instalada para apurar fraudes em empréstimos consignados e desvios de benefícios previdenciários, um problema que afeta milhares de idosos em todo o país. O caso Delecrode é considerado um dos mais graves já investigados pela comissão, tanto pela sofisticação do esquema quanto pelos prejuízos causados aos cofres públicos e aos beneficiários.
O episódio desta segunda-feira acendeu o alerta sobre o uso de tecnologia em fraudes contra o sistema previdenciário, num momento em que o Brasil enfrenta uma onda crescente de crimes digitais. A revolta de Magno Malta, amplamente repercutida nas redes sociais, ecoou o sentimento de parte da população que cobra punição exemplar.
O senador encerrou sua fala de forma categórica: “Você é o gênio do mal, rapaz. E a sua riqueza custou o sofrimento de quem trabalhou a vida inteira.”
Fonte do Conteudo: Erik Oakes – esbrasil.com.br