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Lula indica Messias ao STF para atrair evangélicos

Indicação de evangélico ao Supremo visa ampliar diálogo com segmento religioso e reforça debate sobre representatividade no Judiciário.

Por Denise Miranda

Na quinta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a indicação de Jorge Rodrigo Araújo Messias, 45 anos, evangélico e membro da Igreja Batista, para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Atual Advogado-Geral da União, Messias foi escolhido após a aposentadoria antecipada de Barroso e, se aprovado pelo Senado, poderá permanecer na Corte por até 30 anos, até atingir a idade de aposentadoria compulsória.

A nomeação será submetida ao Senado, que deverá sabatiná-lo na Comissão de Constituição e Justiça antes da votação em plenário. Em seu discurso de aceitação, Messias afirmou que encara a missão com fé, humildade e integridade, comprometendo-se a honrar a confiança depositada nele.

Quem é Jorge Messias

Natural de Recife, Messias é bacharel em Direito pela UFPE e tem mestrado e doutorado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB). Desde 2007, ele atua na carreira da Advocacia-Geral da União e, em 2023, assumiu a chefia da AGU no governo Lula. Sua carreira também inclui passagens pela Casa Civil, Ministério da Educação, Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

A escolha de Messias é vista como simbólica para o segmento evangélico. A indicação de um advogado de confiança, alinhado politicamente e com identidade cristã, reforça a presença de valores evangélicos no mais alto tribunal do país. Para muitos cristãos, ter ministros que partilham de convicções de fé pode significar uma representação mais concreta em temas morais, societários e de justificativa institucional.

Do ponto de vista institucional, Messias traz uma sólida trajetória técnica e jurídica. Sua experiência na AGU e nas mais variadas áreas do governo indica familiaridade com temas constitucionais, administrativos e tributários. Isso pode tornar sua posição no STF estratégica não só para o governo, mas para consolidar uma visão jurídica pautada no Estado de direito.

Politicamente, o movimento tem dupla leitura: além de fortalecer o laço com os evangélicos, segmento crescente e politicamente influente, a indicação reforça a confiança do presidente Lula em Messias como alguém que pode atuar com competência e lealdade institucional.

Reações da bancada evangélica

A indicação de Jorge Messias ao STF provocou reações divergentes dentro da bancada evangélica no Congresso. Parte dos parlamentares celebra o nome como simbólico e estratégico; outros, porém, questionam sua origem partidária e representatividade religiosa.

Otoni de Paula, deputado evangélico do MDB, manifestou apoio aberto à Messias: ele afirma conhecer o AGU pessoalmente e elogia sua fé como “crente de verdade”. Para ele, ter Messias no Supremo representa um reforço ao conservadorismo cristão.

A Convenção Nacional das Assembleias de Deus, por meio de nota, defendeu a indicação de “um homem de fé” à vaga no STF, destacando que a escolha de um evangélico qualificado pode reforçar pautas conservadoras, como a defesa da vida.

Já o deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, criticou fortemente a possível nomeação, chamando Messias de “esquerdista evangélico” e dizendo que ele não representa a maioria dos evangélicos.

Damares Alves, senadora pelo Republicanos, também se mostrou reticente: segundo ela, Messias é “desconhecido do segmento evangélico” e parece ter sido indicado mais por sua filiação política do que por liderança religiosa.

Por outro lado, Cezinha de Madureira, deputado da Assembleia de Deus Madureira, rebateu Sóstenes e afirmou que a indicação é uma oportunidade para os evangélicos. Ele enxerga em Messias alguém “primeiramente qualificado” e que, por ser cristão, poderia trazer uma voz alinhada aos valores evangélicos ao Supremo.

Também há críticas mais teológicas. Valdinei Ferreira, pastor presbiteriano, afirmou o discurso de “precisamos de mais evangélicos no STF” não vem tanto da base das igrejas, mas de lideranças que querem mostrar poder e influência política.

A ausência de vozes claramente evangélicas capixabas pode indicar que a bancada evangélica no Espírito Santo não se movimentou publicamente para manifestar apoio ou oposição — ou que esse posicionamento simplesmente não vazou para a imprensa nacional.

Perspectivas para a sabatina no Senado

Analistas políticos e jurídicos indicam que Messias tem boas chances de aprovação no Senado. Segundo reportagens, sua ligação com a AGU, sua história técnica sólida e sua reputação como jurista confiável são pontos positivos para sua sabatina.

Além disso, o apoio público de Mendonça, figura respeitada entre senadores conservadores cristãos, pode viabilizar votos estratégicos. O rito será o tradicional: a indicação deverá passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para sabatina, seguida da votação no plenário do Senado. Há quem avalie que, apesar de divergências ideológicas entre alguns parlamentares, o perfil técnico de Messias e seu histórico institucional são fortes para garantir aprovação.

Impacto para as eleições de 2026

A indicação de Messias pode ter repercussão eleitoral estratégica para o governo Lula de olho em 2026. Parte da leitura feita por analistas e aliados do Planalto é de que o nome escolhido serve como sinal de respeito ao segmento evangélico — especialmente porque esse público representa uma parcela expressiva da população brasileira.

Se confirmado no STF, Messias também poderá atuar como uma ponte institucional entre o governo e líderes religiosos, ajudando a cultivar apoio evangélico para futuras pautas ou eleições. Por outro lado, a reação crítica de figuras evangélicas liberal-progressistas, bem como daqueles alinhados politicamente com outras vertentes, revela que o segmento não é monolítico — o que significa que a nomeação não garante automaticamente um realinhamento total.

Assim, mais do que um gesto simbólico, a escolha de Messias pode se transformar em uma peça na estratégia política de médio prazo, em que a representação religiosa no Judiciário se entrelaça com disputas de poder e influência partidária.

Fonte do Conteudo: Denise Miranda – esbrasil.com.br

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