
A inadimplência condominial no Rio de Janeiro voltou a preocupar em setembro. O índice marcou 7,38%, acima da média nacional de 6,80% e o maior patamar do ano no estado. Em agosto, a taxa fluminense estava em 6,52%. O levantamento faz parte do Índice de Inadimplência Condominial da Superlógica, que monitora cerca de 100 mil condomínios em todo o país.
No comparativo com setembro de 2024, quando o Rio registrou 6,48%, a variação também foi expressiva. O estado encerra o terceiro trimestre com o maior pico de inadimplência dos últimos 12 meses — e um piso observado apenas em abril, quando o índice chegou a 6,34%. Em cenário nacional, o pico foi em junho de 2025 (7,19%).
Para João Baroni, diretor de Crédito do Grupo Superlógica, a pressão econômica ajuda a explicar essa escalada. “Após queda em julho e agosto, a inadimplência da taxa condominial voltou a subir em ritmo acelerado em setembro, puxada pela inflação elevada e juros altos. São fatores que reduzem o poder de compra da população e, consequentemente, aumentam a inadimplência — sobretudo a condominial, dada a prioridade de pagamento das pessoas por despesas mais caras, como cartão de crédito, aluguel, empréstimos e cheque especial”, afirma o executivo.
No recorte regional, o Norte liderou a inadimplência no país, com 9,63%, seguido pelo Nordeste (7,02%) e Sudeste (6,69%). Mesmo inserido no Sudeste, o Rio aparece acima da média regional. Já o Sul manteve o menor índice, 5,72%. O Norte também foi a região que mais cresceu de agosto para setembro, saltando 1,9 ponto percentual.
O índice considera boletos com mais de 90 dias de atraso e cruza informações como valor da taxa, tipo de imóvel e localização. A série histórica leva em conta mais de 6,3 milhões de unidades habitacionais em todas as regiões do Brasil.
A segmentação por faixas de valor mostra que os condomínios mais baratos continuam sendo os mais afetados. Em setembro, imóveis com taxas de até 500 reais registraram inadimplência de 11,46%, maior nível desde abril. Nas taxas entre 500 e 1.000 reais, o índice ficou em 7,16%. Já acima de 1.000 reais, a inadimplência recuou para 5,14%. A distância entre as faixas chega a 6,3 pontos percentuais.
Outro ponto que chama atenção é o peso da taxa de condomínio no bolso do brasileiro. A média nacional no trimestre (julho a setembro) ficou em 841,23 reais. No Norte e no Nordeste, o valor corresponde a quase 60% do salário mínimo vigente, de 1.518 reais. No Sudeste, região do Rio de Janeiro, chega a 57%.
A inadimplência gera impacto imediato nos condomínios, que passam a operar com orçamento mais restrito. Custos básicos, obras de manutenção e melhorias ficam comprometidos. Em situações extremas, moradores inadimplentes podem até perder o imóvel, caso a dívida seja judicializada e encaminhada para leilão.
Segundo a Superlógica, a inadimplência condominial causa um prejuízo anual estimado em 7 bilhões de reais aos condomínios brasileiros. O índice é montado com dados anonimizados, sem possibilidade de identificação individual dos moradores.
Fonte do Conteudo: Redação Diário do Rio – diariodorio.com