Praias limpas ajudam a alavancar movimento de turistas no Rio de Janeiro

Alunos da Rocinha Surf Escola e o surfista ‘Bocão’ (de camisa laranja), em São Conrado (Foto: Divulgação Águas do Rio)

Depois de um início de temporada movimentado em 2025, o Rio de Janeiro entra em 2026 com o turismo em alta e motivos renovados para celebrar sua vocação natural. A previsão da Riotur é de que a cidade receba 5,7 milhões de visitantes ao longo deste verão, sendo 1,2 milhão de estrangeiros e 4,5 milhões de turistas nacionais. O interesse se concentra no que sempre definiu a Cidade Maravilhosa: lazer ao ar livre, agenda cultural pulsante e, sobretudo, as praias.

A força da orla carioca vai além do cartão-postal. Um estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, intitulado Economia das Praias do Rio, estima que as atividades comerciais realizadas nas areias movimentem cerca de R$ 5,1 bilhões por ano, em valores atuais. Ambulantes, barraqueiros, quiosques e serviços informais formam uma engrenagem que gera renda, empregos e sustento diário para milhares de famílias.

Mas o verão de 2026 promete algo que vai além do movimento intenso com uma mudança concreta na relação da cidade com o mar. Em meio a dias de calor extremo, a presença cada vez mais frequente de bandeiras verdes e boletins de balneabilidade positivos em praias historicamente afetadas pela poluição aponta para uma virada ambiental com impacto direto no turismo. O Rio reforça sua posição como um dos principais destinos do hemisfério sul, agora com águas mais limpas como aliadas.

A melhora está ligada a obras estruturais no sistema de esgotamento conduzidas pela Águas do Rio. Desde que assumiu a concessão, em novembro de 2021, a empresa atua em 27 municípios fluminenses. Só na Baía de Guanabara, cerca de 130 milhões de litros de esgoto deixaram de ser lançados diariamente, o que tem ampliado os períodos de balneabilidade em praias como Flamengo, Catete e Paquetá.

“Para uma cidade que tem o mar como parte central de sua identidade, recuperar essas faixas de areia é mais do que um avanço ambiental. É a retomada de um patrimônio coletivo, que volta a cumprir seu papel social, econômico e cultural”, afirma Sinval Andrade, diretor institucional da Águas do Rio. “Estamos criando bases sólidas para que, no futuro, tenhamos cada vez mais praias próprias para banho.”

Na crista da onda, São Conrado renasce

Praia de São Conrado (Foto Divulgação Águas do Rio)

Entre os exemplos mais emblemáticos dessa transformação está a praia de São Conrado. Tradicional ponto de encontro de surfistas, a faixa de areia registrou condições próprias para banho em cerca de 82% do tempo ao longo de 2025, segundo dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O número contrasta fortemente com o passado recente: entre 2010 e 2020, apenas cerca de 22% dos dias apresentavam balneabilidade positiva.

Entre as medidas adotadas estão a reforma e a modernização de estações elevatórias responsáveis por captar e direcionar o esgoto de mais de 100 mil moradores de São Conrado e da Rocinha até o Emissário Submarino de Ipanema. As unidades operam de forma contínua e são monitoradas em tempo real pelo Centro de Operações Integradas (COI) da concessionária.

Quando o mar volta a ser convite

Os efeitos dessa transformação já são sentidos por quem vive a praia no dia a dia. A Rocinha Surf Escola, projeto que há mais de trinta anos oferece aulas gratuitas de surfe, bodyboard e natação, viu a procura pelas atividades crescer de forma significativa.

“Antes, muita gente tinha receio de entrar no mar. Hoje, as famílias voltaram, confiantes”, diz o surfista José Ricardo Ramos, o Bocão, fundador da iniciativa.

Segundo a concessionária, 2026 deve marcar novos avanços na recuperação da orla, com a ampliação dos períodos de balneabilidade das praias já próprias para banho e o início da melhora em áreas ainda poluídas, em um processo gradual, de praia em praia.

Na Ilha do Governador, cinco novos pontos de coleta vão impedir que cerca de 4,9 milhões de litros de esgoto por dia cheguem à Baía de Guanabara. Com conclusão prevista para 2026, as obras devem acelerar a regeneração ambiental da região.

“O avanço do saneamento básico é progressivo, assim como os benefícios que chegam em seguida. Foi assim na Zona Sul e em Paquetá, e esperamos observar os primeiros resultados na Ilha no final de 2026”, finaliza Sinval Andrade.

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Fonte do Conteudo: Redação Diário do Rio – diariodorio.com

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