
Na assembleia realizada na última a terça-feira (6), a Associação dos Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (Aherj) decidiu pela suspensão do atendimento de usuários da Unimed Ferj pelas redes de saúde que integração a Associação. A inciativa, entretanto, é apenas uma recomendação.
As unidades de saúde que decidirem pelo alinhamento com a decisão da Aherj terão um prazo de 30 dias, após a notificação do Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), das secretarias municipal e estadual de Saúde e do Sistema Unimed, para a suspensão dos serviços.
Para os clientes da Ferj, a maioria deles usuários das redes das cidades do Rio de Janeiro e de Duque de Caxias, o cenário é de incerteza e insegurança. Por isso, o esclarecimento sobre a possível suspensão dos atendimentos é importante. Veja abaixo, as principais dúvidas.
Quando entra em vigor a suspensão dos atendimentos?
Segundo o presidente da Aherj, Marcus Quintella, a inciativa é uma recomendação, não uma obrigatoriedade. Caso as unidades de saúde decidam segui-la, podem fazê-l 30 dias após a Associação notificar a ANS, o MPRJ e as secretarias municipal e estadual de Saúde do Rio. A Aherj informou ao Globo, que as autoridades devem ser oficialmente comunidades ainda nesta semana.
O que acontecerá aos pacientes com exames ou cirurgias eletivas agendadas para o mês que vem?
Caso a decisão seja acolhida pelos Hospitais, os pacientes, segundo Quintella, terão os seus procedimentos desmarcados. As exceções dizem respeito aos pacientes já internados ou em tratamento médico. Para eles, os atendimentos serão assegurados, sem interrupção.
Em caso de necessidade onde o paciente pode procurar atendimento?
Para tentar sanar a crise, em novembro 2025, a ANS determinou que a Unimed do Brasil, gestora nacional da marca Unimed, assumisse a carteira da Ferj. Pelo arranjo, foi acertado um compartilhamento de risco, com a Unimed do Brasil ficando com 90% da receita das mensalidades dos usuários da Unimed Ferj para pagar prestadores e reembolsos, por exemplo; e os 10% restantes ficando com a Ferj para o pagamento de dívidas. A Unimed do Brasil também firmou acordo com seis redes hospitalares e de laboratórios para atender os pacientes da operadora em crise. A lista inclui as seguintes unidades:
Casa de Saúde Saint Roman
CBTEA – Instituto de Neuropsiquiatria Dr. João Côrtes de Barros (unidades Barra da Tijuca e Duque de Caxias)
Conexa Saúde – plataforma de telessaúde (pronto atendimento virtual e psicologia)
Hospital Israelita Albert Sabin
Oncoclínicas (unidades Barra da Tijuca e Botafogo)
Clínica Pediátrica da Barra
Hospital Ipanema
IEP – Instituto de Especialidades Pediátricas (ambulatório)
Prontobaby Hospital da Criança
Casa de Saúde Nossa Senhora do Carmo
Hospital Pró-Cardíaco
Hospital Samaritano Barra
Hospital Samaritano Botafogo
Hospital São Lucas Copacabana
Hospital Vitória Barra
Hospital Santa Lúcia (somente internação eletiva)
Rede Dasa – 147 unidades, incluindo terapias especiais, exames laboratoriais e de imagem
Hospital de Clínicas de Jacarepaguá
Hospital Mario Lioni
Hospital Panamericano Amil (Casa de Saúde Santa Therezinha)
Hospital Pasteur
Segundo O Globo, o Hospital Israelita Albert Sabin informou, por meio de nota, que o acordo firmado com a Unimed-Ferj prevê a prestação de serviços médico-hospitalares, de diagnósticos e terapia com internações eletivas. Atendimentos de urgência e emergência não estão previstos no contrato.
Segundo o veículo, os clientes da Unimed Ferj ainda têm à sua disposição os 13 hospitais da Rede Casa, gestora de unidades como a Casa São Bernardo, na Barra da Tijuca; e Casa Evangélico, na Tijuca.
A Unimed Ferj deve oferecer uma rede mínima credenciada?
Em entrevisto ao Globo, o especialista em Direito à Saúde, Rafael Robba, do escritório Vilhena Silva, explicou que a legislação brasileira determina que o plano mantenha a rede credenciada oferecida no momento da contratação. A substituição das unidades conveniadas, por exemplo, pode ser feita, mas seguindo as regras da ANS. A autarquia exige à operadora a comunicação individual dos usuários sobre as mudanças pelo menos 30 dias antes do término da prestação do serviço.
Quais são os direitos dos usuários?
Pelas regras da ANS, os usuários de plano de saúde podem fazer a portabilidade de carências. Se os clientes estiverem insatisfeitos por conta da exclusão de um hospital ou serviço de urgência e emergência da rede credenciada, a portabilidade pode ser feita sem carência mínima. Nesse caso, não é exigido que o plano de destino custe o mesmo valor do plano de origem, como acontece nos outros casos de portabilidade.
Em caso de mudança a carteirinha continua a mesma?
A Unimed do Brasil esclareceu que houve uma alteração do número da carteirinha. Hoje, já está disponível um documento virtual. Mas a antiga carteirinha continua valendo.
App, SAC e site apresentam instabilidade?
Sim. O Procon Carioca recebeu reclamações sobre o problema e notificou a Unimed para esclarecimentos. A operadora teria informado, segundo O Globo, que o sistema precisou ser atualizado por conta do compartilhamento de risco com a Unimed do Brasil.
O que diz a Unimed?
Com uma dívida acumulada somente com hospitais em cerca de R$ 2 bilhões, valor negado pela Unimed Ferj; a operado disse ao Globo, por meio de nota, que mantém contratos ativos com cerca de 40 hospitais da capital fluminense e de Duque de Caxias, sendo que a maioria deles já tem contratos firmados com a Unimed do Brasil.
“Mais uma vez, a operadora rechaça a narrativa que tenta atribuir à Unimed Ferj um suposto valor de dívida assistencial que jamais existiu. A cooperativa permanece aberta ao diálogo”, disse a Unimed Ferj no comunicado.
A Unimed do Brasil também foi procurada pelo jornal, mas nãorespondeu.
Fonte do Conteudo: Patricia Lima – diariodorio.com