A culpa é de… | Jornal Espírito Santo Notícias

O sofrimento das pessoas e suas responsabilidades. Mais um artigo de Luciana Maximo.

De uns tempos para cá, tenho observado como as pessoas estão sofrendo. E sofrem de diversas formas. Eu acredito que a maioria ainda não entendeu o motivo do seu sofrimento e talvez nunca vá compreender por que passa por isso. E, com certeza, essa maioria continua ignorando suas responsabilidades.
Muitas vão culpar a saúde e se ver como vítimas.

Em 2009, eu morava em Cachoeiro de Itapemirim quando me inscrevi para a Designação Temporária (DT) para atuar na escola estadual de Presidente Kennedy. Fui chamada e assumi as turmas da 5ª série. Entre elas, havia uma turma especial, tão especial que desenvolvi hipertensão depois de um ano dando aulas lá. Minha querida pedagoga, Eliane Viana, conhece bem essa turma. Ela me desafiou a construir um plano de intervenção para as 5ª séries, que contemplasse essa turma em especial.

Mas, a hipertensão não era um bicho de sete cabeças, milhares de pessoas são hipertensas. Era assim que eu pensava. Não me importava com as estatísticas, nem estava preocupada com isso.
Em 2016, me descobri pré-diabética. Estava na tranquila Praia de Marobá, residindo por um tempo depois de passar por uma perseguição política na cidade que tanto amo.
Eu continuava fumando muito, todos os dias, entre um e dois maços de cigarro. Bebia e vivia na correria. Já tinha deixado a sala de aula, mas o jornal… esse não. E, para piorar, a hipertensão estava me consumindo, absorvendo todos os problemas das pessoas, essas mesmas que se vitimizam todos os dias, são omissas e oportunistas. Essas que adoram uma Coca-Cola de 2 litros, coxinha e prato de macarrão com arroz.

Na época, eu não me preocupei, nem procurei um endocrinologista. Não aceitei o diagnóstico, ignorei e continuei comendo açúcar como se estivesse tudo bem. Não me limitei a beber, comer, fumar; era sempre um prazer: amigos, pizzas, macarrão, pães, bolos, chocolate, mariola, vinho, cervejas… Tudo que é gostoso, até refrigerante.

Em 2020, já estava diabética, acima do peso e, o pior, com epicondilite, escoliose na coluna, gastrite, três pequenas úlceras no estômago e refluxo. E gorda!
Mas o que tinha de mais? Estava na academia? Não… Estava indo para o Bar do Bagre, Gonzagas, Taninha, Tanibe, e por aí vai…
Agora, estou com duas bursites nos dois ombros e artrose no pé direito, onde tive seis fraturas expostas em 1996.
Foi então que percebi que estava num beco sem saída e não havia mais para onde correr. Decidi parar com o açúcar em 2021. Ah, em 2018 parei de fumar, curei a gastrite, as úlceras, fiz tratamento e melhorei o refluxo. Curei a epicondilite e a escoliose. Mudei de postura.
O diabetes, no entanto, não sei se tem cura; tomo todo dia: glifage, forxiga, glicazida e, de quebra, lorsatana, atelonal e hidroclorotiazida.
Fiz uma parceria com a Academia Iriri e estou consciente de que não posso mais adiar. (não tenho ido, nos últmos 40 dias).

E você, meu querido e amado leitor: já se deu conta das suas responsabilidades? Vai continuar tomando refrigerante, dando a seus filhos? Comendo como se o mundo fosse acabar hoje? Vai continuar procrastinando para fazer atividade física? Ou vai correr atrás de vereadores para marcar seus exames, suas consultas, vai pedir um carro da Prefeitura para te levar para consultas que demoram tanto tempo que, quando você sai, já está com o pé na cova?

Dá uma olhadinha nos leitos dos hospitais e pergunte: por que tanta gente quebrada? Por que a fila da fisioterapia parece não ter fim? Por que tanta gente diabética, com câncer, hipertensa? E por que tanta gente morre de infarto, AVC?
Eu não sou criança para fazer de conta que não sei o que acontece nos bastidores. Sei que, quanto mais gente doente, melhor para os políticos assistencialistas, mentirosos e oportunistas, para os aluguéis de carros, para as licitações, as atas e o faz de conta…

Entretanto, é bom que se saiba: ou você toma consciência e vergonha na cara, muda de hábitos, ou paga um plano de saúde (que também não é aquela Brastemp), ou fica na fila, ou, se faz de vítima e corre atrás de vereador que não vale a comida que come.

Você acha que a culpa é de quem? E aí, vai um cigarrinho, um cervejinha, um pãozinho com presunto e queijo?

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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