Há homens que envelhecem. E só.
A barba fica branca, o corpo desacelera, mas o coração permanece inquieto como o de um menino mimado. A idade chega, mas a maturidade — essa graça severa — nem sempre os alcança.
Maturidade não vem com o tempo. Vem com o trabalho de olhar para dentro – e enxergar. Com a disposição de ver-se no espelho sem desculpas. Há homens de cabelos grisalhos que ainda não aprenderam a ser contrariados sem se alterar. Homens assim se ofendem com facilidade, reagem com violência, impacientam-se diante da espera como se o mundo ainda tivesse por dever servi-los.
Um homem maduro é, antes de tudo, estável.
Não porque não sinta, mas porque aprendeu a sustentar o que sente sem derramar sobre os outros. É previsível, no melhor sentido: alguém em quem se pode confiar.
Se promete, cumpre. Se erra, assume. Se é contrariado, não grita: escuta. Reflete. Retorna depois, mais inteiro.
Já os imaturos vivem em estado de oscilação. São dominados pelo momento. Uma crítica os destrói. Um contratempo os desregula. São rápidos em julgar, lentos em reconhecer. São como folhas soltas — às vezes brilhantes, mas sempre levadas pelo vento.
Não importam aqui as fraquezas naturais, dessas que todo ser humano carrega. Preocupa-me a recusa persistente em amadurecer daquele sujeito que não inicia sua autocrítica diária e recorrente. Que não se conhece. Que culpa os outros e exige sem oferecer. Que grita em vez de argumentar. Que destrói o vínculo porque não sabe suportar o desconforto do crescimento.
A maturidade exige humildade.
Não se mostra de imediato. Mas se revela com o tempo nos gestos discretos, na constância das atitudes, na ausência de espetáculo.
Talvez falte dizer isso aos homens com mais coragem: que não é digno envelhecer sem se tornar confiável. Que não é bonito ter história sem ter domínio de si. Que a virilidade não está na força, mas na sobriedade.
Homens maduros não são neutros. Têm opiniões, têm firmezas. Mas sabem a hora de falar. E, sobretudo, sabem escutar. Não se colocam no centro. Tornam-se apoio — não peso.
No fim das contas, talvez a maturidade não se resuma a uma idade, nem a um feito.
Ela se resume a uma postura: a de quem decidiu, enfim, crescer.
Fonte do Conteudo: Raphael Câmara – eshoje.com.br