A crônica é de Luciana Máximo, em homenagem a Uciel de Almeida, mais conhecido como “Ajuda Eu”, em Piúma.
Quase tudo o que você quisesse comprar para comer, ele carregava em sua bicicleta: galinha caipira, peixe, acerola na época da fruta, aipim, fruta-pão, limão… Ele era pura correria e sempre repetia seu famoso jargão: “Ajuda Eu”.
Brincalhão, gostava de dançar, cantar, trabalhar. Bebia, bebia bastante. Natural de Piúma, na década de 1960 seguiu para o Rio de Janeiro, como muitas famílias do litoral. Lá, ele foi trabalhar em uma fábrica de sapatos. Ficou muitos anos residindo em Nova Iguaçu/ RJ, contudo uma depressão o fez dixar a cidade e há pelo menos cinco, retornou a Piúma. Sempre monitorado pela esposa e o filho que reside em Portugal.
Há poucos dias, ele viajou. Disse que iria visitar sua irmã adoentada, Elvira. Antes disso, esteve algumas vezes no Hospital Nossa Senhora da Conceição, com os pés sempre muito inchados e a pressão alta. Chegaram a espalhar na cidade o boato de que ele havia morrido.
E não é que eu levei um susto ao dar de cara com ele na semana passada no Sacolão da Fartura? Brinquei: “Ajuda Eu, você tá vivo?”. Ele, todo brincalhão, me garantiu que muita gente queria que fosse verdade, mas que ele estava bem vivo.
E pasmem: antes de viajar, voltou ao Sacolão, pagou uma conta e disse: “Vai que eu morro”. Parecia até que adivinhava… Foi, e acabou morrendo.
Talvez ele não soubesse que estava tão doente. Não se deu conta. Foi visitar a irmã e, lá, faleceu. Também foi se encontrar com a esposa Isaura, o amor com quem teve um filho que o venerava.
Uciel de Almeida, o “Ajuda Eu”, tinha cerca de 72 anos. Seu famoso grito pelas ruas de Piúma era um pedido de ajuda para juntar dinheiro e voltar para o Rio de Janeiro. “Ajuda Eu voltar para o Rio de Janeiro!”. Tornou-se um personagem popular da cidade.
Cortava Piúma inteira de bicicleta, já pedalou até Iconha e Rio Novo do Sul.
Foi candidato a vereador na eleição que elegeu Paulo Cola. Virou até manchete de jornal. Disse a mim que, se ganhasse, ajudaria todo mundo. Mas estava ali apenas preenchendo chapa de partido. E quem sabe? Com tanta gente que o conhecia, talvez tivesse sido eleito.
Engraçado e carismático, não há um piumense que se preze que não tenha conhecido o “Ajuda Eu”.
A cada dois meses, viajava para o Rio. E sempre voltava. Morava sozinho em uma quitinete no Porto, em Piúma.
Dessa vez, não voltou.
Depois de chegar ao Rio, começou a sentir dores intensas. Suspeitaram de uma infecção intestinal. Foi levado ao médico e diagnosticado com cirrose em estágio terminal. Morreu por volta de 1h30 da madrugada.
Seu corpo será sepultado no Rio de Janeiro, onde está sua família.
E por aqui, ficamos com saudade e gratidão por esse homem que conquistou a todos com seu jargão e sua alegria.
Que Deus o receba e conforte sua família e amigos.
Ele queria ajuda para voltar ao Rio… Voltou. E não mais voltou.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br