A Meca Imobiliária Participações e Investimentos S.A., do empresário Américo Buaiz Filho, formalizou a saída definitiva da ABM 2 Partners Investimentos e Participações S.A. — companhia que integra o núcleo de controle da Apex Partners S.A., mediante a venda do conjunto de suas ações pelo valor global simbólico de R$ 1. A comercialização acionou um gatilho de proteção contratual previsto em acordo de acionistas celebrado em abril de 2023.
Em novo posicionamento enviado à reportagem, a Meca informou que “foi formalizada definitivamente sua saída da ABM 2” e que as discussões sobre os termos da transação estão protegidas por obrigações de sigilo e confidencialidade. A empresa reiterou categoricamente que “jamais exerceu o controle ou qualquer ato de gestão da ABM 2 ou das sociedades investidas e não possui qualquer relação com a crise recentemente noticiada envolvendo a Apex Partners S.A.”
O Gatilho Contratual
A saída da Meca ocorreu um dia após o grupo afastar do comando o presidente Fernando Antonio Kulnig Cinelli e o diretor financeiro Eduardo Siqueira, no dia 6 de agosto. O afastamento decorreu de investigações internas que identificaram “inconsistências financeiras” e um endividamento estimado em quase R$ 1 bilhão.
Pelo Acordo de Acionistas firmado em 2023 entre a Meca, a ABM 2, a ABM Partners e a ABM Partnership, a Meca detinha a opção de venda irrevogável de 100% de suas ações (455.070 ordinárias e uma preferencial classe B) a título gratuito. Para o exercício dessa opção, no entanto, havia uma condição vinculante: a saída de dois dirigentes do grupo.
O primeiro desligamento ocorreu em 7 de junho de 2024, com a renúncia de Ângelo Chieppe Moura Dalla Bernardina da diretoria financeira da Apex Partners Gestão de Ativos. A exigência foi concluída em 6 de agosto, com a destituição de Cinelli pelos sócios.
No dia 7 de agosto, a Meca formalizou a notificação de venda por R$ 1. O movimento societário também passou a integrar petições anexadas ao processo que corre na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória.
Estrutura Societária e o Term Sheet
A Meca esclareceu ainda a distinção entre seus contratos anteriores e a gestão efetiva do grupo. A empresa pontuou que um Term Sheet (carta de intenções) citado em tratativas passadas não tinha validade no formato final da operação e que a revogação do documento não alterava a sua participação minoritária na ABM 2.
A companhia reforçou que o Term Sheet nunca representou a configuração societária atual nem conferiu direito de veto ou atos de gestão executiva a Américo Buaiz Filho na Apex ou em suas controladas — reiteração feita para distanciar o empresário das apurações em andamento sobre as inconsistências financeiras do grupo Apex.
Fonte do Conteudo: Danieleh Coutinho – eshoje.com.br