
O antigo Armazém Pedro II, primeiro prédio do país construído sem o uso de mão de obra escrava, vai receber um mega projeto de restauração e requalificação viabilizadas por um investimento de R$ 86,2 milhões do Governo Federal. Nesta próxima terça-feira (16/12) será realizado um evento público para celebrar a assinatura do Termo de Execução Descentralizada com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, passo administrativo que viabiliza a liberação dos recursos para o início das obras.
O termo descentraliza os recursos necessários para transformar o imóvel histórico em um dos maiores complexos da América Latina voltados à memória, à cultura e à valorização da população negra. A proposta é dar novo uso ao edifício, localizado em frente ao Sítio Arqueológico do Cais do Valongo.
Tombado pelo Iphan em 2016, o conjunto rebatizado de André Rebouças em setembro, foi erguido em 1871. Além do valor simbólico, o edifício marca um capítulo importante da modernização das técnicas construtivas e da operação portuária no país, em um período de de transformações urbanas no Rio. O tombamento inclui ainda a Pedra Fundamental e objetos encontrados dentro de uma Cápsula do Tempo, lançados no dia 15 de setembro de 1871, data da construção do armazém. Esses itens foram localizados em 2012 durante escavações arqueológicas no Valongo.
Com a requalificação, o espaço vai abrigar o Centro de Interpretação do Patrimônio Mundial Cais do Valongo, voltado à valorização da herança africana e do legado de André Rebouças. Também será instalada no local a sede do Laboratório Aberto de Arqueologia Urbana, responsável pela preservação e estudo de mais de um milhão de peças arqueológicas, incluindo materiais provenientes do Cais do Valongo, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
Fonte do Conteudo: Victor Serra – diariodorio.com