Ana Flávia emagreceu apenas com reeducação alimentar e exercícios, convive com excesso de pele em diversas partes do corpo e afirma que sequer conseguiu ser avaliada por um cirurgião da rede pública. Enquanto tenta arrecadar recursos para realizar o procedimento, ela cobra uma resposta do poder público
Aos 27 anos, a moradora de Vila Velha, Ana Flávia Moreira, vive uma realidade que mistura superação e frustração. Após perder 79 quilos sem recorrer à cirurgia bariátrica ou medicamentos para emagrecimento, ela afirma ter recebido três negativas consecutivas do Sistema Único de Saúde (SUS) ao tentar conseguir uma cirurgia reparadora para retirar o excesso de pele deixado pelo emagrecimento.
Segundo Ana Flávia, a transformação ocorreu ao longo de um ano e dez meses, apenas com reeducação alimentar e atividade física. Ela saiu dos 169 quilos para os atuais 90 quilos, mas afirma que o excesso de pele passou a comprometer sua qualidade de vida.
“Tenho excesso de pele nos braços, pernas, coxas, barriga e peito. Preciso de reparos, mas, se eu conseguir fazer pelo menos a cirurgia da barriga, já vai me ajudar muito”, relatou.
De acordo com documentos apresentados pela paciente à reportagem, foram realizadas três solicitações de encaminhamento para cirurgia plástica pelo SUS. Em todas elas, a regulação registrou a justificativa “Procedimento fora do perfil do prestador”, além da observação “Inconsistência de informações da solicitação”.
Para Ana Flávia, no entanto, o sentimento é de abandono.
“Fiz mais dois pedidos pelo SUS e foi negado de novo, mesmo com o pedido judicial. Fui verificar como estava o encaminhamento e vi que tinha sido negado novamente. Nem me ligaram para avisar. Eles me abandonaram”, afirmou.
Ela também diz que nunca chegou a ser avaliada por um cirurgião da rede pública.
“Meus três pedidos foram negados. Como é que o procedimento é fora do perfil do prestador se o cirurgião nem chegou a me avaliar?”, questiona.
Emagrecimento sem cirurgia
Ana Flávia destaca que toda a perda de peso aconteceu de forma natural.
Segundo ela, não houve cirurgia bariátrica nem uso de medicamentos para emagrecimento.
A mudança de hábitos permitiu que ela eliminasse quase 80 quilos, mas trouxe uma nova dificuldade: o excesso de pele em várias regiões do corpo.
Rotina
Atualmente, Ana Flávia afirma que não trabalha. Segundo ela, a rotina é dedicada aos cuidados com o filho, que é autista e depende de sua presença constante.
Ela explica que a falta de uma rede de apoio dificulta seu retorno ao mercado de trabalho e afirma que o excesso de pele também provoca desconforto físico e afeta sua autoestima.
Esperança em projeto social
Sem conseguir realizar o procedimento pela rede pública, Ana Flávia encontrou uma alternativa por meio de um projeto social coordenado pelo cirurgião plástico Dr. Adriano Badistuta.
Segundo ela, foi contemplada pelo projeto, que irá custear parte do tratamento. Entretanto, ainda é necessário arrecadar recursos para cobrir as despesas hospitalares e o pós-operatório.
De acordo com Ana Flávia, são necessários aproximadamente R$ 7,5 mil para os custos hospitalares e cerca de R$ 6,5 mil para o pós-operatório, totalizando aproximadamente R$ 14 mil.
Por esse motivo, ela criou uma campanha de arrecadação na plataforma Vakinha.
Quem desejar contribuir pode acessar a campanha pelo link:
ou ajuda direto pelo pix: Anaflaviam074@gmail.com
O que dizem os órgãos públicos
O Espírito Santo Notícias procurou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para esclarecer o motivo das negativas registradas no sistema de regulação, questionando, entre outros pontos, o significado técnico da justificativa “Procedimento fora do perfil do prestador”, se há oferta desse tipo de cirurgia pelo SUS no Espírito Santo, qual o fluxo correto para esses casos e se o processo de Ana Flávia poderá ser reavaliado.
A reportagem também entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Vila Velha, questionando o acompanhamento realizado pela rede municipal, os encaminhamentos feitos para a paciente e quais providências foram adotadas após as sucessivas negativas da regulação.
Além disso, a equipe procurou o Dr. Adriano Badistuta, por meio da direção de sua clínica, para esclarecer detalhes sobre o projeto social do qual Ana Flávia participa e obter informações sobre o procedimento previsto para a paciente.
Até a publicação desta reportagem, nenhum dos três havia encaminhado resposta aos questionamentos enviados pelo Espírito Santo Notícias. O espaço permanece aberto para manifestações, e a matéria será atualizada caso os posicionamentos sejam encaminhados posteriormente.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br