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Edson Claro, testemunha-chave da PF, detalha à VEJA e à polícia os negócios obscuros de Antonio Carlos Antunes, o Careca do INSS. Ele aponta para uma suposta participação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em esquemas que incluem venda de testes de saúde e viagens internacionais com fundos suspeitos.
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A prisão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em setembro de 2025, foi decretada, entre outras razões, porque ele tentou intimidar uma testemunha do escândalo dos desvios das aposentadorias dos idosos.
O alvo foi Edson Claro, ex-diretor comercial da World Cannabis, empresa que pertence a Camilio Antunes, que revelou, em mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal, detalhes de como o seu chefe operava o esquema que desviou 6 bilhões de reais dos aposentados do INSS.
Ele apresentou mensagens, planilhas, fotografias e diálogos de celular que abriram caminho para uma série de investigações — três delas envolvendo o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.
“A primeira coisa que falei é que muita gente grande estava envolvida”, disse Edson a VEJA. “Falei sobre a comissão de 25 milhões que o Antonio disse que pagaria para o filho do presidente e também sobre o envolvimento de outras pessoas importantes, incluindo o senador Weverton Rocha”.
O executivo contou ter ouvido do Careca do INSS que Lulinha receberia 25 milhões de reais por ter conseguido viabilizar um contrato no Ministério da Saúde no valor de 1 bilhão de reais. O negócio envolvia a venda de testes rápidos para dengue e zika.
Claro contou que Lulinha viajou com Careca para quatro países — Portugal, Alemanha, Suiça e Espanha — para tratar de outros negócios. Ele também também deu o caminho para a PF mapear a distribuição de propinas. Disse aos policiais que Lulinha recebia uma mesada de 300 mil reais paga pela lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, e pela publicitária Danielle Fonteles, que mora em Portugal.
As revelações de Edson tiveram um custo para sua vida pessoal. A CPMI do INSS tentou incluir o empresário no programa de proteção, sem resultado. Nas últimas semanas, ele tem recebido ligações oriundas dos Estados Unidos, Paraguai e interior de São Paulo. Em um dos telefonemas, uma pessoa advertiu que ele estaria ‘falando muito’.
O Careca do INSS, antes de ser preso, ameaçou “meter uma bala” na cabeça do subordinado se ele revelasse o que sabia.
Fonte do Conteudo: Hugo César Marques – veja.abril.com.br