Uma auditoria do governo do Rio na Caixa de Assistência dos Empregados da Cedae (Cedae Saúde) encontrou indícios de desvios que superam R$ 400 milhões. O levantamento, realizado pela Grant Thornton, com acompanhamento do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Cedae, aponta possíveis irregularidades no pagamento por serviços e suspeita de favorecimento de empresas ligadas à antiga direção da entidade, durante a gestão de Cláudio Castro (PL). O desembargador Ricardo Couto, ao assumir o Palácio Guanabara em março, iniciou uma varredura em todos os contratos de órgãos do estado.
Em 23 de junho de 2026, o então presidente da Cedae Saúde, Eric Frederik Gualberto, foi afastado, a pedido do novo comando da Cedae. A partir daí, foi iniciado o pente-fino na entidade. Gualberto ainda tentou retornar ao cargo, mas a Justiça negou o seu pedido. O relatório da auditoria será encaminhado ao Ministério Público para investigação dos fatos e adoção de medidas judiciais.
Pagamentos a empresas offshore
Com a saída de Eric Frederik Gualberto da empresa, a nova diretoria constatou que os arquivos com nomes de fornecedores e a contabilidade de dezembro de 2023 a abril de 2026 foram apagados. Mas, de acordo com o governo, os auditores conseguiram recuperar os dados, revelando que quatro empresas integrantes de uma offshore ligada a Gualberto nas Ilhas Virgens Britânicas receberam R$ 95 milhões durante sua gestão na Cedae Saúde.
A investigação afirma que a Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da antiga gestão da Cedae fazia repasses mensais para o funcionamento da Cedae Saúde. Só que a diretoria atual da entidade constatou que os valores ficavam muito acima do necessário para o custeio. O repasse era, em média, de R$ 20 milhões por mês para a Cedae Saúde. Hoje, o valor é de cerca de R$ 6 milhões, uma redução de 70%.
Criada em 1988, a Cedae Saúde é uma empresa que gerencia a assistência de saúde de funcionários ativos, dependentes, aposentados e pensionistas, em um total de 17 mil beneficiados. A entidade oferece serviços como Saúde Ocupacional, Segurança do Trabalho, distribuição de remédios de uso contínuo, exames periódicos e admissional.
Fonte do Conteudo: Ludmilla de Lima – veja.abril.com.br