Bactéria encontrada em lagoas de Araruama ajuda cientistas a investigar possibilidade de vida em Marte

Lagoa de Araruama

Uma bactéria encontrada em lagoas hipersalinas da Região dos Lagos, está contribuindo para pesquisas que buscam responder uma das maiores perguntas da exploração espacial: Marte já teve, ou ainda pode oferecer, condições para abrigar vida microscópica?

O microrganismo, identificado como Staphylococcus nepalensis (S. nepalensis), é estudado por pesquisadores do Laboratório de Astrobiologia (AstroLab), do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). A espécie chama a atenção pela capacidade de sobreviver em ambientes extremamente salgados, característica considerada valiosa para simular parte das condições encontradas no planeta vermelho.

Descoberta em 2003 no trato digestivo de cabras do Nepal, a bactéria também foi localizada em diversos outros hospedeiros e ambientes ao redor do mundo. Entre eles estão as lagoas hipersalinas de Araruama, cuja concentração de sal supera a da água do mar.

Condições semelhantes às de Marte

Nos experimentos conduzidos pelo AstroLab, a S. nepalensis é submetida a condições que reproduzem ambientes marcianos, especialmente as chamadas salmouras intermitentes, pequenos fluxos de água extremamente salgada que podem surgir por curtos períodos na superfície de Marte.

Os cientistas investigam como a bactéria reage às altas concentrações de sais e às variações bruscas de salinidade. A expectativa é compreender até que ponto ambientes transitórios como esses poderiam oferecer condições mínimas para a sobrevivência de microrganismos extremófilos, organismos capazes de viver em situações consideradas hostis para a maior parte das formas de vida conhecidas.

Considerada a maior laguna hipersalina permanente do mundo, a Lagoa de Araruama apresenta uma concentração de sal muito acima da encontrada nos oceanos. Enquanto a água do mar possui, em média, cerca de 35 partes por mil (‰) de salinidade, a lagoa registra aproximadamente 52‰, podendo atingir até 65‰ em alguns trechos. Isso significa que suas águas podem ser quase uma vez e meia mais salgadas que as do oceano.

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Fonte do Conteudo: Victor Serra – diariodorio.com

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