
O sábado (14) foi daqueles que explicam por que o Carnaval de Rua do Rio de Janeiro segue firme no calendário cultural da cidade. Do Centro à Zona Sul, blocos como Cordão da Bola Preta, Amigos da Onça, Escangalha, Céu na Terra e Terreirada reuniram gerações em desfiles marcados por memória, identidade e música que atravessa décadas. Confira a agenda dos blocos do Rio em 2026.
Para Bernardo Fellows, presidente da Riotur, o recado foi claro. “Do Cordão da Bola Preta ao Céu na Terra, o que vimos neste sábado foi a expressão clara da tradição e da diversidade do carnaval carioca. Os desfiles reforçam o papel do carnaval de rua como espaço de encontro, memória e identidade cultural da cidade”, afirmou.
Bola Preta arrasta multidão no Centro

Com 107 anos de história, o Cordão da Bola Preta levou cerca de 500 mil pessoas ao Centro com o tema “DNA”. No repertório, marchinhas como “Cidade Maravilhosa”, “Mamãe Eu Quero”, “Me Dá um Dinheiro Aí” e “A Jardineira”, além de sambas e canções populares.
O presidente do bloco, Pedro Ernesto Marinho, falou sobre a responsabilidade de manter a tradição. “Os foliões procuram o bloco por reconhecerem nele a essência do Carnaval de diferentes gerações”, disse.
À frente do cortejo, nomes como Leandra Leal, Paolla Oliveira, Emanuelle Araújo, Tia Surica e Selminha Sorriso reforçaram o clima de celebração. “O momento em que o Carnaval é mais democrático é na rua. O Bola está há mais de 100 anos fazendo isso”, declarou Paolla Oliveira.
Entre os foliões, histórias que atravessam o tempo. Conceição Chaves, de 93 anos, contou que frequenta o bloco há décadas. Já grupos organizados, como o de Adenilson Machado, mantêm a tradição de fantasias coletivas desde 2012.
Amigos da Onça leva pauta ambiental ao Aterro


No Aterro do Flamengo, o Amigos da Onça apostou na irreverência e no discurso ambiental. Fantasias de animais da fauna brasileira dividiram espaço com leques, pernaltas e performances.
“Sempre levando essa questão da preservação do meio ambiente”, afirmou Diego Nogueira, produtor do bloco, ao lembrar que o tema acompanha o grupo desde a fundação.
O trompetista Marco Silva reforçou o caráter político da festa. “Brincar com responsabilidade e pensar o futuro melhor pros nossos filhos”, disse.
Escangalha resgata sambas-enredo no Jardim Botânico


Fundado em 2007, o Escangalha mantém a proposta de devolver o samba-enredo às ruas. Sem tema anual, o bloco investe em pesquisa e curadoria para tocar clássicos das décadas de 1960 a 1990.
“O samba-enredo começou na rua, depois foi para a avenida, e ao longo do tempo a rua foi perdendo contato com ele”, explicou Pedro de Alencar, um dos fundadores.
A bateria, comandada pelo Mestre Waguinho, tem maioria feminina e funciona como espaço de formação cultural. “A gente acredita que o clássico não morre”, resumiu Pedro.
Terreirada mistura ritmos na Quinta da Boa Vista


Na Quinta da Boa Vista, o Terreirada levou ao público ritmos como baião, xaxado, maxixe e samba de roda, com arranjos próprios e dezenas de pernaltas.
“É uma força de expressão dos nossos mestres”, afirmou Raquel Poti, fundadora do bloco, ao destacar a presença de personagens e elementos da cultura popular do Norte e Nordeste.
Enquanto isso, o Céu na Terra animava Santa Teresa, o Bloco dos Barbas desfilava em Botafogo, o Bloco Brasil agitava o Leme, e o Exagerado, inspirado em Cazuza, levava clássicos ao Centro.
Em vários bairros, a cena se repetiu: ruas cheias, famílias, grupos de amigos e foliões de diferentes idades dividindo o mesmo espaço. O Carnaval de Rua do Rio mostrou mais uma vez que tradição e diversidade seguem andando juntas.
Fonte do Conteudo: Quintino Gomes Freire – diariodorio.com