A morte da menina Alice Rodrigues, de apenas seis anos, baleada dentro do carro da família no último domingo (24), em Praia de Carapebus, Serra, mobilizou uma das maiores operações policiais do Espírito Santo nos últimos anos. Em coletiva realizada nesta quinta-feira (28), a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) confirmou a prisão de seis envolvidos, apontados como parte de uma cadeia criminosa que vai desde os mandantes até os executores. Outros três líderes seguem foragidos.
O ataque
Segundo as investigações, os criminosos tinham como alvo um rival no bairro Balneário de Carapebus, mas ao se depararem com o carro da família de Alice, um Peugeot preto, confundiram o veículo com o automóvel do alvo, um Renault Kwid da mesma cor.
Dentro do carro estavam Alice, sua mãe grávida de oito meses e o pai. A menina foi atingida na nuca e morreu ainda a caminho do hospital. O pai foi baleado de raspão e a mãe sofreu ferimentos leves com estilhaços de vidro.
De acordo com a polícia, os disparos foram feitos de dentro de um Fiat Argo usado pelo grupo. Após a execução, o veículo foi abandonado e, próximo dele, foi encontrada uma granada que, segundo os investigadores, seria detonada para intimidar rivais e demonstrar o poderio do grupo criminoso.
Cadeia de comando
A Polícia Civil apresentou um organograma que detalha a estrutura do crime:
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Mandantes:
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Sérgio Raimundo Soares da Silva Filho, o “Serginho Kauê” – foragido.
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Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Júnior, o “Bequinha” – foragido.
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Rian Alves Cardoso, o “R7” – foragido.
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Intermediários:
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Marlon Furtado Castro – preso.
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Marina de Paula dos Santos, advogada e companheira de Marlon – presa.
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Maik Rodrigues Furtado, o “MK” – preso.
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Executores:
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Pedro Henrique dos Santos Neves – preso logo após o crime, portando revólver.
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Outros três executores já identificados, mas ainda procurados.
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Apoio:
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Arthur Folli Rocha, olheiro contratado por R$ 100 – preso.
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Izaque de Oliveira Moreira, responsável por dar fuga – preso.
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Na casa de Marlon e Marina, a polícia apreendeu 100 munições de pistola 9mm, 20 munições de fuzil calibre 5.56, pinos de cocaína e cadernos de anotações do tráfico.
A guerra do tráfico
O chefe da DHPP da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, explicou que o ataque faz parte da disputa entre o PCV (Primeiro Comando de Vitória) e o TCP (Terceiro Comando Puro) pelo domínio de bairros estratégicos da Serra. Praia e Lagoa de Carapebus, Bicanga e Cidade Continental já estariam sob controle do PCV, e o ataque tinha como objetivo avançar sobre Balneário de Carapebus, área ainda ligada ao TCP.
Segundo o secretário de Segurança, Leonardo Damasceno, a família de Alice não tinha qualquer relação com o tráfico:
“É uma família inocente que foi colocada no meio de uma guerra entre facções. A morte de Alice é a face mais cruel da violência desses criminosos.”
Prisões e próximos passos
Com base em confissões e provas materiais, todos os seis presos foram autuados por homicídio qualificado (com cinco qualificadoras), além de dupla tentativa de homicídio contra os pais de Alice. Parte deles também responderá por porte ilegal de arma, resistência e posse de munição de uso restrito.
As autoridades afirmaram que a investigação já identificou 12 pessoas diretamente ligadas ao ataque, e novas prisões devem ocorrer nos próximos dias.
O caso mostrou a escalada da violência na Serra e o grau de ousadia das facções. A execução de uma criança, confundida com alvo rival, mostra a banalização da vida em territórios disputados pelo tráfico.
A Sesp prometeu reforço de policiamento na região e garantiu que “todos os envolvidos serão presos”.
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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br
