Com objetivo de encontrar soluções para reduzir o consumo de carne, pesquisadores de Universidades da Inglaterra, Estados Unidos e China estão usando pés de alface e de tabaco para produzir uma “carne” à base de plantas.
De acordo com um estudo publicado nessa quinta-feira (6/8), na revista Frontiers in Plant Science, é preciso encontrar uma alternativa para a redução do consumo da proteína animal, já que para sua produção é necessário o uso de grandes áreas de terras, de água doce, além da altas emissões de gases metano e óxido nitroso, os quais contribuem para o aquecimento global.
Por conta disso, grande parte do mercado mundial já tem movimentado bilhões anualmente em alternativas à carne e tem uma projeção de crescimento para a próxima década.
Como possibilidade, os cientistas têm utilizado a engenharia microbiana em biorreatores – sistemas fechados e controlados de cultivação de microrganismos, células ou tecidos que geram produtos biológicos, para a produção de produtos vegetais.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles Saúde e Ciência
Entre as alternativas está a mioglobina, uma proteína que está presente em músculos de vertebrados, é rica em ferro, tem o sabor metálico, o gosto e a cor vermelha que são característicos da carne.
Para criar a carne artificial, os pesquisadores clonaram genes de mioglobina suína e bovina e os inseriram por meio de uma “pistola de genes” em cloroplastos de mudas de tabaco e alface.
“Aqui, mostramos que as plantas podem ser geneticamente modificadas para produzir a proteína animal mioglobina (Mb) em seus cloroplastos, as usinas de energia da fotossíntese. Isso poderia fornecer uma maneira mais sustentável de produzir um ingrediente importante para produtos cárneos à base de plantas”, disse a Dra. Alexia Groff, pesquisadora do Imperial College London, em comunicado.
Resultados das pesquisas
Segundo os resultados obtidos na pesquisa, testes confirmaram que as mudas de alface e tabaco integraram o gene clonado ao seu genoma, em forma de anel nos cloroplastos. Dessa forma, as plantas cresceram, floresceram produziram sementes e geraram descendentes transgene – fragmentos de DNA ou gene isolado de um organismo que é introduzido em outro em outra espécie.
Para obter um efeito comparativo, os autores aplicaram também a modificação no genoma nuclear dessas plantas e em cloroplastos da alga Chlamydomonas reinhardtii.
A escolha de realizar essa experiência com tabaco e a alface se deu, porque o tabaco é a melhor planta para desenvolvimento da tecnologia e a alface é uma cultura comestível aplicável à produção de alimentos.
Assim, identificou-se que a inserção em cloroplastos provou ser mais eficaz do que parta a produção da proteína do que a inserção no núcleo celular Isso aconteceu devido à ancestralidade bacteriana e ao elevado número de cópias por célula dessas estruturas.
Conforme as medições feitas, houve um rendimento de mioglobina de aproximadamente 800 mg/kg de peso seco no tabaco e 810 mg/kg na alface. Volume pelo menos três vezes superior ao obtido no genoma nuclear, embora ainda seja menor que o teor da carne animal, que contém de 8,1 a 11,2 mg por grama seco.
Apesar da diferença de concentração, os autores destacam que o cultivo da carne vegetal consome menos recursos do que a pecuária, podendo alcançar ou até superar o rendimento de proteína por hectare em relação à criação animal. Utilizando menos água reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.
De acordo com os cientistas,futuramente, para uma possível comercialização dessa alternativa, a mioglobina poderá ser extraída das folhas e purificada industrialmente para enriquecer o sabor, a cor e o valor nutricional de produtos à base de plantas.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com