
Podemos apagar o passado? Remover nossas cicatrizes, nossos defeitos? É possível excluir apenas as memórias ruins para recomeçar uma vida livre de sofrimento e alcançar a utópica perfeição? Leide Milene, interpretada por Laila Garin na comédia ‘Músicas que fiz em seu nome’, acredita que sim. Prestes a casar, a personagem decide se submeter ao Miracle Former, um procedimento revolucionário que promete apagar lembranças dolorosas antes de seu casamento. A partir daí, questões são tratadas com muito bom humor no musical que estreia no dia 17 de outubro, no Teatro Adolpho Bloch, com direção de Gustavo Barchilon. O texto tem autoria de Laila Garin em parceria com Tauã Delmiro, direção musical de Tony Lucchesi, com consultoria de conteúdo e colaboração de roteiro da poeta, psicanalista e filósofa Viviane Mosé.
‘Músicas que fiz em seu nome’ foi criado a partir de uma fala de Viviane Mosé: “Na tentativa de não sofrer, terminamos optando por não sentir. Plastificamos nossa pele. Embalsamamos nossos afetos. (…) Sentir muito e cada vez mais, aprender a lidar com os excessos, os desequilíbrios e as contradições é a condição para um ser mais amplo e para uma vida mais ética e sustentável”. Tendo esse ponto de partida, os autores construíram uma comédia despudorada, brincando com todos esses anseios e dúvidas do ser humano.
“Nossas lembranças formam a base da nossa personalidade, influenciam nossas escolhas e determinam como nos relacionamos com o mundo. A memória nos conecta ao passado, permitindo que aprendamos com os erros, celebremos conquistas e criemos narrativas sobre nossa própria história”, afirma Barchilon. Laila acrescenta: “Somos nossas memórias, para o bem e para o mal. Acho que nossa identidade está diretamente ligada a elas. Digo para o bem e para o mal porque lutamos para estarmos no presente e não termos reações automáticas, frutos de hábitos e aprendizados da primeira infância. Ao mesmo tempo, como diz Sotigui – griot que trabalhava com Peter Brook-, “para saber para onde ir a gente deve olhar para de onde viemos””.
O repertório do espetáculo passeia por grandes canções brasileiras, que ajudam a costurar a história de Leide Milene. Tauã Delmiro explica que “o roteiro é bastante eclético e inspirado pela rica diversidade da música brasileira, tornando-se um catálogo de emoções, refletindo a herança poética das canções do Brasil”. São 18 canções que abrangem gêneros como baladas, boleros, sertanejo, bossa nova, entre outros.
Além de ser a protagonista, Laila faz sua estreia como autora. Ela e Tauã estiveram juntos no musical ‘Alguma Coisa Podre’, com direção de Gustavo Barchilon, que deu a ideia da parceria para a gestação desse espetáculo. Tony Lucchesi assina a direção musical.
Serviço
- Músicas que fiz em seu nome
- 17 de outubro a 09 de novembro
- De quinta a sábado, às 20h
- Domingos, às 17h
- Vendas: Ingresso.com
Fonte do Conteudo: Larissa Ventura – diariodorio.com
