Um composto produzido por bactérias do intestino após a digestão de alimentos como romã, nozes e frutas vermelhas pode ajudar a proteger o revestimento intestinal e reduzir danos causados por doenças inflamatórias. A descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, e publicada na revista Nature Communications na última terça-feira (23/6).
O estudo investigou a urolitina A (UroA), substância formada pela microbiota intestinal durante a digestão de alguns compostos presentes nesses alimentos. Segundo os autores, ela ativa um mecanismo natural de proteção que fortalece a barreira intestinal e favorece o reparo dos tecidos.
A pesquisa pode ajudar a entender melhor como a alimentação e a microbiota atuam em conjunto na saúde do intestino, especialmente em pessoas com doença de Crohn e retocolite ulcerativa, as principais formas de doença inflamatória intestinal.
Como o composto atua
O intestino possui uma camada de células que funciona como uma barreira, impedindo a passagem de bactérias e substâncias nocivas para o organismo, ao mesmo tempo em que permite a absorção de nutrientes. Nas doenças inflamatórias intestinais, essa barreira fica comprometida, favorecendo inflamação persistente, dor e outras complicações.
Os pesquisadores descobriram que a urolitina A ativa uma proteína chamada receptor de hidrocarbonetos arílicos (AHR) especificamente nas células que revestem o intestino. Essa ativação desencadeia outro mecanismo, conhecido como inflamassoma NLRP6.
Embora os inflamassomas sejam geralmente associados à inflamação, neste caso o efeito foi diferente. A ativação estimulou a produção de muco protetor, reforçou a barreira intestinal, favoreceu o reparo do tecido lesionado e fortaleceu as defesas naturais contra microrganismos nocivos.
Segundo os cientistas, os resultados mostram que algumas vias relacionadas à inflamação também podem exercer funções importantes na proteção do organismo quando ativadas nas células corretas.
Testes em células e tecidos humanos
Para confirmar os resultados, a equipe realizou experimentos com células cultivadas em laboratório, organoides e amostras de tecido intestinal de pessoas com doença inflamatória intestinal. Em todos os modelos, a urolitina A ativou o mesmo mecanismo de proteção observado nos experimentos iniciais.
Os pesquisadores afirmam que os resultados ajudam a explicar por que determinados alimentos podem trazer benefícios ao intestino quando a microbiota é capaz de produzir esse composto durante a digestão.
Próximo passo
Segundo os autores, a descoberta também pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais específicos para doenças inflamatórias intestinais.
Em vez de bloquear o sistema imunológico como um todo, uma estratégia futura seria estimular mecanismos naturais de proteção presentes nas próprias células do intestino. No entanto, os pesquisadores destacam que ainda serão necessários mais estudos antes que essa abordagem possa ser aplicada em pacientes.
Fonte do Conteudo: Metrópoles – www.metropoles.com