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Crônica: Estrada sem volta – Caminhoneiro de Iconha e ajudante morrem em um trágico acidente no Maranhão | Jornal Espírito Santo Notícias

Ainda era criança quando subia no caminhão, e talvez, entre estradinhas de terra batida e poeira no vento, brincasse com seus caminhõezinhos de brinquedo. Era tempo em que a imaginação fazia do sabugo de milho um boi, da bola de meia uma final de campeonato e da espiga de milho uma boneca. Havia pouco dinheiro, mas sobrava simplicidade — e, sobretudo, felicidade.

Volverini. Assim o chamavam, entre tantos apelidos carinhosos que a vida lhe deu. Agelanor Caprini Salvador partiu desta existência como sempre viveu: trabalhando, na lida da estrada, dessa vez no Maranhão, enquanto descarregava a carreta que dirigiu até o último endereço. Uma viagem sem volta, sem mais paradas, sem buzinas ecoando pelas curvas do caminho.

Era menino de índole boa, brincalhão, sempre pronto para a zoeira, para a risada solta, para o abraço sincero. Querido por todos em sua terra natal.

“A lembrança que tenho dele é de um cara muito alegre, brincalhão, de fácil amizade. Pois não esquentava com nada, muito dedicado à família, e muito querido por todos. Até pelo fácil acesso que ele dava aos outros. Conhecido e amado no meio estradeiro, e que amava a estrada desde cedo”, recorda o cantor Andresso Forrozeiro, amigo dos tempos da adolescência.

E a Capital dos Caminhoneiros, Iconha, chorou nesta quarta-feira. A cidade amanheceu sob uma garoa fina, fria, que parecia também vestir luto com a notícia sombria.

Agelanor fica sendo lembrado pela dedicação ao trabalho, pela amizade sincera e pela forma generosa de cruzar caminhos e deixar saudades. Sua partida gerou comoção entre familiares, amigos e todos os que, de algum modo, tiveram o privilégio de dividir um trecho da estrada com ele.

“Um homem trabalhador, simples e sempre disposto a ajudar. Vai fazer muita falta”, resumiu um amigo da família.

Filho da terra, tão querido, Agelanor chegou ao último destino na marmoraria do bairro São Francisco, em Codó (MA). Junto a ele, também perdeu a vida, o ajudante, Francivaldo Reis Chaves, de 31 anos, morador do povoado Caldeirão, conhecido carinhosamente como “Zuda”.

No silêncio que a estrada deixou, Iconha se une em solidariedade, abraçando a família de Agelanor com carinho, lembrança e respeito. Porque a vida é feita de partidas, mas também de memórias — e estas, sim, permanecem.

Agelanor partiu sobre rodas, como quem segue viagem para além do horizonte. Deixou saudade, mas também um rastro de amor, amizade e trabalho. Agora, a estrada da lembrança é infinita.

 

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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