Crônica: O respeito, o direito, a empatia e a gratidão | Jornal Espírito Santo Notícias

*por Luciana Maximo

Viver em sociedade exige que tenhamos consciência de que somos todos iguais. Sim, e não importa a classe social, a cor da pele, a orientação sexual ou a fé que se professa. Todos precisamos uns dos outros.

Não adianta se achar “macho” e gritar aos quatro cantos que não gosta de gays, lésbicas, trans, pretos, judeus, pais de santo, padres ou pastores.

Um chaveiro abre qualquer porta, um médico opera e salva um assassino que matou a mãe ou um estuprador que abusou de crianças.

Eu até sei que o dinheiro separa as pessoas, dá privilégios, e proporciona prazeres e vivências inesquecíveis… Mas aqui na Santa Casa ou em qualquer hospital, respeito, direitos, empatia e gratidão têm tudo a ver.

Agora eu sou acompanhante da Ana, da Elisângela e de quem mais precisar de mim. É um copo de água que vou buscar, é o meu ventilador que vou compartilhar, é o café que vou oferecer, a fruta que vou dividir.

Sim, todos os pacientes aqui têm o direito de ser respeitados e tratados com dignidade, têm direito a banho, comida e um lugar limpo, além das medicações na hora exata. Não podem ser abusados, não podem ter os cuidados negados, e seria bom que isso fosse feito sem cara feia, sem mau humor, sem parecer que se está fazendo um favor. Empatia tem muito a ver com tudo.

Outro dia, a Ana, de muletas, na recepção principal do hospital, pedia para entrar e ir ao laboratório. O porteiro apenas olhou e mandou que ela descesse, subisse o morro e virasse à esquerda. As regras dizem que não se pode entrar pelo portão principal para ir ao laboratório de doação de sangue. Sim, sabemos disso. Regras existem para ser cumpridas.

Mas o mesmo vigilante a orientou a voltar por dentro do hospital.

Um pouco de empatia deveria ser uma regra em todo ambiente. E certamente, contribuiríamos para um mundo muito mais leve e elegante.

Penso ser uma falta de respeito, Cachoeiro com sensação térmica de 50º graus e o ar condicionado do quarto com defeito e com quatro pacientes dividindo o mesmo espaço. 

Também penso ser desrespeitoso uma técnica mandar o acompanhante retirar a urina da sonda de um paciente que acabou de operar, correndo risco de contrair uma infecção hospitalar. 

Muita falta de respeito um político atropelar o sistema e agendar uma cirurgia a um eleitor de seu reduto e outro paciente morrer aguardando a sua vez…

Eu não sou jornalista porque me formei para esta profissão. Eu me tornei jornalista para gritar por direitos, para fazer valer, para brigar por quem sua voz não alcança e não comove os ratos que trapaceiam com a nossa cara e sacaneiam com o nosso dinheiro. Eu me tornei jornalista para denunciar, para buscar soluções para as demandas da sociedade e também para reconhecer o que dá certo e o que merece aplausos.

Sou muito grata aos médicos que estudaram e, a todo instante, buscam saber mais para salvar vidas, minimizar a dor; aos profissionais da saúde que amam o que fazem e respeitam a todos, independentemente do valor que se tem no bolso… Sou grata a cada mão que estende solidariedade, a cada ser que se coloca no lugar do outro. Eu sou grata a cada instante a Deus por tanto amor. Ele nos criou à sua imagem e semelhança. Eu só não gosto da indiferença, da frieza, da ambição, da vaidade, da estupidez, do ser que se acha melhor do que os outros.

*Luciana Maximo é jornalista e editora do Jornal Espírito Santo NotíciasFoto: Imagem ilustrativa/Stephen Andrews/Unsplash

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Fonte do Conteudo: Luciana Máximo – www.espiritosantonoticias.com.br

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